Uma equipe de especialistas da Aiea visita a Usina Nuclear de Zaporizhzhya e seus arredores • Aiea/Fredrik Dahl
A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) está sendo citada repetidamente nos noticiários após os últimos ataques de Israel às instalações nucleares do Irã. Isso acontece porque um dos principais papéis da entidade é verificar o uso seguro das tecnologias nucleares nos países.
Criada em 1957, a AIEA atua como parte autônoma das Nações Unidas. A organização surgiu logo após o temor global vindo dos resultados das bombas atômicas e armas nucleares usadas na Segunda Guerra Mundial.
Além de atuar em questões como controle do câncer, segurança alimentar, desenvolvimento sustentável, a AIEA também visa o uso pacífico de energia nuclear.
Uma das principais responsabilidades da agência é a estrutura de acordos nucleares firmados voluntariamente pelos países.
Essas negociações são essenciais para prevenir a disseminação de armas nucleares, verificando de forma independente se as nações estão cumprindo os compromissos de não proliferação do tratado internacional.
Segundo as Nações Unidas, cerca de 182 países tinham acordos com a AIEA em 2024.
Tratado de Não-Proliferação
A Agência Internacional de Energia Atômica utiliza acordos previstos no Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP), foi criado para impedir a disseminação de armas nucleares internacionalmente.
Esses acordos são implementadas na Índia, Paquistão e Israel, que não são parte do tratado, mas que tem base em negociações específicas que fizeram com a AIEA.
A agência reporta regularmente ao Conselho de Diretores sobre as atividades nucleares dos países, usando amostras ambientais, imagens de satélite e inspeções para coletar dados e preparar relatórios técnicos.
Se alguma nação não nuclear signatária do TNP não cumprir as exigências, limitando o acesso ou não explicando a presença de partículas de urânio, por exemplo, a organização pode reportar o país ao Conselho de Segurança da ONU, o que pode levar a pressões diplomáticas, sanções ou pedidos de novas negociações.
Monitoramento do Irã
O Irã é um dos países que fazem parte do Tratado de Não-Proliferação Nuclear, portanto, está proibido de adquirir armas nucleares.
Logo, é obrigado a permitir que a AIEA inspecione e verifique todos os materiais e atividades nucleares, inclusive a curto prazo, se solicitado, segundo a Organização das Nações Unidas.
A agência inspeciona regularmente as instalações nucleares do Irã, incluindo locais como Natanz, Fordow e Isfahan, visando garantir que os materiais produzidos sejam usados somente para fins pacíficos e não para criação de armas.
Em 9 de junho, poucos dias antes do começo do conflito entre Irã e Israel, o diretor-geral da organização, Rafael Mariano Grossi, observou que partículas de urânio artificial haviam sido encontradas em três locais não declarados pelo país: Varamin, Marivan e Turquzabad.

O Irã, segundo ele, não forneceu “explicações tecnicamente confiáveis” para a presença das partículas, apesar de anos de consultas.
Grossi tem se envolvido diretamente com as autoridades iranianas e partes interessadas internacionais para manter a comunicação e a transparência, segundo a ONU.
Em um discurso ao Conselho de Segurança em 13 de junho, ele afirmou que a agência estava em contato constante com a Autoridade Reguladora Nuclear Iraniana para avaliar a situação das instalações afetadas e determinar impactos mais amplos na segurança nuclear.
A AIEA confirmou que, após os ataques israelenses de junho de 2025, a instalação de Natanz havia sido impactada, mas não relatou níveis elevados de radiação.
A organização enfatizou que qualquer ataque militar a instalações nucleares é uma violação do direito internacional e representa sérios riscos à segurança e ao meio ambiente.
Fonte: CNN Brasil