Reino Unido barra participação de Israel em feira de armas em Londres

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A exposição Defense and Security Equipment International (DSEI), em Londres, reúne governos, forças armadas e fabricantes de armas  • Amer Ghazzal/Shutterstock via CNN Newsource

O governo britânico impediu oficiais israelenses de participarem de uma importante feira de armas em Londres no próximo mês, citando a escalada da campanha militar de Israel em Gaza.

“A decisão do governo israelense de intensificar ainda mais sua operação militar em Gaza está errada. Como resultado, podemos confirmar que nenhuma delegação israelense será convidada para participar da DSEI UK 2025”, disse um porta-voz do governo à CNN.

Israel tradicionalmente mantinha uma grande presença na exposição DSEI (Defense and Security Equipment International), que reúne governos, militares e a indústria de armamentos para uma conferência de quatro dias na capital britânica a cada dois anos.

O ministério da defesa de Israel criticou duramente a decisão do governo britânico. “Essas restrições constituem um ato deliberado e lamentável de discriminação contra os representantes de Israel”, disse um porta-voz, confirmando que Israel se retirará da exposição.

O porta-voz afirmou que a decisão “favorece os extremistas” e “introduz considerações políticas totalmente inadequadas para uma exposição profissional da indústria de defesa”.

A remoção de Israel da exposição de armas é a mais recente de uma série de medidas tomadas pelo governo britânico visando pressionar o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu a reduzir a guerra em Gaza e concordar com um cessar-fogo com o Hamas.

Junto com os líderes da França e do Canadá, o primeiro-ministro Keir Starmer está se preparando para reconhecer um estado palestino durante a Assembleia Geral das Nações Unidas em Nova York. A cúpula começa em 9 de setembro – mesmo dia da DSEI em Londres – e vai até o final do mês.

Diferentemente da França e do Canadá, no entanto, Starmer condicionou o reconhecimento britânico de um estado palestino às ações de Israel. Starmer disse que o Reino Unido reconhecerá a condição de estado da Palestina em setembro, a menos que Israel resolva a crise humanitária em Gaza, concorde com um cessar-fogo com o Hamas e se comprometa com uma “paz sustentável de longo prazo” e uma solução de dois estados para o conflito israelense-palestino.

Desde o anúncio de Starmer em julho, Israel expandiu drasticamente sua campanha em Gaza e está se preparando para ocupar a Cidade de Gaza, a maior do território palestino.

Justificando sua decisão de barrar oficiais israelenses da DSEI, o porta-voz do governo do Reino Unido disse: “Deve haver uma solução diplomática para encerrar esta guerra agora, com um cessar-fogo imediato, o retorno dos reféns e um aumento da ajuda humanitária ao povo de Gaza”.

Embora oficiais do governo israelense não tenham sido convidados, empresas privadas israelenses de armamentos ainda poderão participar, disse à CNN um porta-voz do Ministério da Defesa britânico.

Em junho, a França fechou os estandes de grandes empresas israelenses de armamentos, incluindo Elbit Systems e Rafael, no Paris Air Show – a maior feira de aviação do mundo – por se recusarem a remover armas de ataque em exposição.

Apesar dos esforços de vários países europeus para exercer pressão diplomática sobre Israel, a Europa continuou comprando armas de Israel. Em agosto, a Elbit Systems anunciou que havia assinado um contrato de US$ 1,6 bilhão para fornecer uma série de soluções de defesa a um país europeu não identificado.

A indústria de armas de Israel tem crescido nos últimos anos. As vendas anuais de armas israelenses atingiram um novo recorde em 2024, pelo quarto ano consecutivo, de acordo com números divulgados em junho pelo ministério da defesa de Israel.

As exportações de armas israelenses totalizaram quase US$ 14,8 bilhões no ano passado, acima dos US$13 bilhões em 2023 e mais do que o dobro do valor de suas exportações de cinco anos atrás.

As exportações de armas e gastos militares estão aumentando globalmente, impulsionados por grandes conflitos em múltiplos continentes, segundo o Instituto Internacional de Pesquisa da Paz de Estocolmo (SIPRI).

Fonte: CNN Brasil

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