Na Suíça, incêndio em festa de Ano Novo mata dezenas de pessoas e deixa mais de 100 feridos — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução
As autoridades locais da Suíça admitiram nesta terça-feira (6) o bar atingido por um incêndio que matou 40 pessoas em uma festa de Ano Novo não era vistoriado desde 2020.
“Inspeções periódicas de segurança e contra incêndio não foram realizadas entre 2020 e 2025. Lamentamos isso amargamente”, disse o prefeito de Crans-Montana, Nicolas Feraud, em uma coletiva de imprensa no resort de esqui alpino, cinco dias após o desastre no bar Le Constellation.
A tragédia ocorreu durante uma festa de Ano Novo no bar Le Constellation, que fica na estação de esqui de Crans-Montana, nos Alpes, Ao todo, 40 pessoas morreram e outras 116 ficaram feridas, a maioria com gravidade, segundo a polícia. Das feridas, 83 ainda continuam hospitalizadas.
O incêndio começou nas primeiras horas de quinta-feira (1º), quando sinalizadores presos a bebidas foram erguidos muito perto do teto, segundo relatório preliminar das investigações oficiais. As chamas se espalharam rapidamente. (Leia mais abaixo)
Autoridades locais continuam as investigações da tragédia. Em comunicado, a prefeitura de Crans-Montana informou que havia revisado todos os documentos enviados à Procuradoria do Cantão de Valais após o incêndio e garantiu que os documentos detalham os “procedimentos administrativos sobre a conformidade do estabelecimento”.
“Embora somente em 2025 tenham sido realizadas mais de 1.400 inspeções de incêndio no município, o conselho municipal lamenta profundamente descobrir que este estabelecimento não foi submetido às inspeções periódicas entre 2020 e 2025”, afirmou a prefeitura.
A prefeitura disse que decidiu encarregar uma agência externa especializada de realizar inspeções em todos os estabelecimentos públicos e proibir o uso de artefatos pirotécnicos em ambientes internos.
‘Apocalipse’
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Imagem mostra teto de bar em estação de esqui da Suíça que pegou fogo já em chamas enquanto frequentadores levantam bebidas com sinalizadores, em 1º de dezembro de 2025 — Foto: Reprodução/ Redes Sociais
O incêndio começou por volta de 1h30 (21h30 de quarta-feira pelo horário de Brasília) no bar Le Constellation.
“Pensamos que era apenas um pequeno incêndio, mas quando chegamos lá era uma tragédia. Essa é a única palavra que posso usar para descrever: apocalipse. Foi terrível”, disse Mathys, um morador da cidade vizinha de Chermignon-d’en-Bas, à agência de notícias AFP.
Uma testemunha que visitou o bar antes do incêndio disse ter visto pessoas queimadas saindo do local. “Elas pediam ajuda, gritavam por socorro”, contou. Vídeos mostraram pessoas tentando deixar o bar enquanto as chamas cresciam.
Todas as 40 vítimas do incêndio, que começou no bar Constellation nas primeiras horas de 1º de janeiro, já foram identificadas. A polícia informou que não divulgará detalhes sobre a identidade dos mortos.
O trabalho de identificação dos corpos foi dificultado por conta do estado dos corpos, ainda de acordo com a polícia suíça. Isso porque o fogo se espalhou rapidamente pelo bar durante a festa, segundo as investigações.
“Tudo indica que o incêndio começou com as velas acesas, ou ‘luzes de Bengala’, que estavam presas à garrafas de champanhe. Elas ficaram muito perto do teto. A partir daí, uma conflagração rápida e generalizada se alastrou”, disse a promotora suíça Beatrice Pilloud, responsável pelo caso.
Testemunhas descreveram cenas de pânico e caos, com pessoas tentando quebrar as janelas para escapar e outras correndo pelas ruas com muitas queimaduras da localidade dos Alpes suíços.
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Na Suíça, incêndio em festa de Ano Novo mata dezenas de pessoas e deixa mais de 100 feridos — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução
O presidente suíço, Guy Parmelin, que assumiu o cargo também na quinta-feira, classificou o incidente como “uma calamidade de proporções sem precedentes e aterrorizantes” e “uma das piores tragédias que já tivemos na Suíça”.
A causa do incêndio ainda não havia sido determinada, mas sobreviventes relataram que uma vela de aniversário acesa perto do teto de madeira do local pode ter começado o fogo. A Promotoria suíça fala de incêndio acidental e descartou a hipótese de um ataque ou ato criminoso.
Com capacidade para 300 pessoas no interior e outras 40 na varanda, o estabelecimento era muito frequentado por turistas estrangeiros, em particular, jovens.
Um dos mortos era o atleta de golfe italiano Emanuele Galeppini, de apenas 16 anos. Seu nome foi o primeiro a ser identificado entre as vítimas da Itália.
Não há registro de vítimas brasileiras no incidente, segundo o Itamaraty.
Fonte: G1 Mundo







