Josualdo Euzébio Silva*
A elevação da temperatura com a chegada da primavera indica milhares de pessoas saindo mais de casa para aproveitar o calor e relaxar. O deslocamento para chegar ao destino muitas vezes dura horas sentado e requer cuidados para evitar a trombose, que já atingiu mais de 36 mil brasileiros apenas no primeiro semestre de 2025, segundo o Ministério da Saúde, causando a morte de um empresário de 39 anos, depois de o quadro evoluir para embolia pulmonar.
A verdade é que a trombose é, basicamente, a formação de um coágulo nos vasos, principalmente nos membros inferiores, naturalmente mais propensos à condição. A patologia compromete a passagem de sangue pelo local, deixando-a obstruída e provocando outros desconfortos. A “trombose do viajante” decorre da permanência por longos períodos sem movimentar as pernas e a situação requer muita atenção.Publicidade
Os deslocamentos longos são os mais perigosos, por isso os viajantes estão mais vulneráveis e devem ficar alertas. A recomendação é que quem estiver em trajeto terrestre (carro, moto, trem ou ônibus) deve parar e esticar as pernas, se movimentar, ir ao banheiro e se hidratar, evitando completamente o álcool.
Quando a viagem não permite paradas, como no caso do avião, deve-se andar um pouco pelo corredor ou mexer as pernas ainda sentado, ao apoiar os calcanhares no chão e levantar os pés e girar os joelhos e tornozelos. A panturrilha ajuda o sangue a ser bombeado até o coração e, por isso, precisa ser exercitada, destacadamente, em voos superiores a quatro horas de duração.
A complicação mais temida da trombose venosa está no agravamento com uma embolia pulmonar, causada pelo desprendimento do coágulo, circulando pelas veias até os pulmões, obstruindo a artéria pulmonar e ainda podendo levar à morte. Os sintomas são falta de ar, dor, tosse seca ou com sangue e palpitações.
Já as varizes são consideradas um dos problemas vasculares mais conhecidos e populares. A estimativa da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV) é que até 70% das pessoas, acima dos 70 anos, apresentam essa condição, sendo mais comum entre as mulheres.
O calor dilata os vasos sanguíneos. A combinação dessa situação com a lenta circulação e o acúmulo de sangue nos membros deixa as veias aparentes abaixo da pele, apresentando diversas linhas ampliadas e de coloração azulada ou arroxeada, uma característica marcante.
Muitas pessoas preferem esconder as pernas, contudo o desconforto não é apenas estético, uma vez que as altas temperaturas provocam muitas dores, notadamente no fim do dia, deixando as pernas pesadas e aumentando o cansaço.
Passar muito tempo sentado ou em pé também contribui com a evolução das varizes e essas podem complicar com o aparecimento de feridas, chamadas úlceras varicosas, demorando para cicatrizar e à própria trombose. Além da idade, sexo e sedentarismo, o excesso de peso, gravidez, uso de hormônios, como os anticoncepcionais, tabagismo e possuir determinados tipos de doenças também são considerados fatores de risco.
Os cuidados com a saúde vascular durante o verão requerem movimento, hidratação e também ambientes mais arejados, sem se expor diretamente ao sol por longos períodos. Quem tem varizes deve realizar uma consulta com o cirurgião vascular, pois o tratamento é individualizado. O cirurgião avalia e indica tratamentos para atenuar efeitos e proporcionar maior qualidade de vida, como o uso de meias de compressão graduada, medicamentos e indicação cirúrgica.
* Médico cirurgião vascular, membro titular da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular
“Este texto não reflete, necessariamente, a opinião”
Fonte: Hoje em Dia







