O erro que sabota sua alimentação saudável, segundo especialistas

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Preparo de salada Crédito: Shutterstock

Especialistas alertam que o principal erro de quem tenta ter uma alimentação saudável é buscar soluções rápidas, como dietas restritivas e promessas milagrosas divulgadas nas redes sociais, em vez de adotar mudanças sustentáveis baseadas em evidências científicas. Transformar a tradicional promessa de Ano-Novo em hábitos consistentes é um dos grandes desafios para quem decide cuidar melhor da saúde. Embora a intenção de melhorar a alimentação seja recorrente entre os brasileiros, colocá-la em prática esbarra em obstáculos como a ampla oferta de produtos ultraprocessados, a avalanche de informações nas redes sociais e a sedução de dietas “milagrosas”.

Para o médico nutrólogo Celso Cukier, do Einstein Hospital Israelita, o caminho precisa ser outro. “Por isso, é importante esclarecer à população que as mudanças no estilo de vida devem ser baseadas em evidências científicas para garantir resultados duradouros”, afirma. A seguir, quatro estratégias essenciais para estruturar uma alimentação realmente saudável.

1. Apoie-se em orientação profissional

A pressa por emagrecer costuma levar muitas pessoas a medidas extremas, incluindo o uso indiscriminado de medicamentos. Esse comportamento pode trazer efeitos colaterais importantes e comprometer a saúde. Por isso, a recomendação é buscar avaliação médica antes de qualquer intervenção farmacológica e acompanhar de perto a evolução do tratamento.

“Temos hoje boas opções de medicação, que fazem parte de um arsenal terapêutico que pode auxiliar na melhora da condição física desses pacientes. No entanto, é importante ressaltar que se trata apenas de uma ferramenta, e não da solução isolada”, ressalta Cukier. O acompanhamento com nutricionistas ou nutrólogos também ajuda a ajustar cardápios, suplementação e hábitos que interferem nos resultados, além de proteger contra modismos sem respaldo científico.

2. Vá além do prato: movimente-se e hidrate-se

Uma rotina saudável não se resume à alimentação. A prática regular de atividade física contribui para a prevenção de doenças crônicas, auxilia no controle do peso e reduz o risco de hipertensão, diabetes e problemas cardiovasculares, além de favorecer o equilíbrio mental.

Outro ponto fundamental é a ingestão adequada de água, que participa da regulação da temperatura corporal, da digestão e do transporte de nutrientes. “Esses fatores são fundamentais para manter um gasto energético adequado e uma estrutura óssea-muscular capaz de preservar a autonomia dos indivíduos”, destaca o nutrólogo.

3. Questione dietas e promessas das redes sociais

A popularidade de influenciadores digitais transformou as redes em uma fonte frequente — e nem sempre confiável — de informações sobre nutrição. “Os influencers são bons comunicadores, mas boa parte deles sequer tem uma formação em ciências biológicas e, assim, acabam passando informações errôneas para o público”, alerta Cukier.

Dietas restritivas, como cortar totalmente carboidratos, exagerar no consumo de proteínas ou adotar jejum intermitente sem orientação, até podem levar à perda de peso inicial. Porém, “toda proposta de redução calórica pode trazer como consequência uma perda de peso. Porém, dificilmente uma dieta restritiva consegue ser mantida a médio ou longo prazo”, explica. Quanto mais rígida a dieta, maior a chance de abandono e de recuperação do peso — às vezes até acima do inicial.

4. Dê prioridade aos alimentos in natura

A base de uma alimentação equilibrada está nos alimentos in natura ou minimamente processados, conforme orienta o Guia Alimentar para a População Brasileira, do Ministério da Saúde. Frutas, verduras, legumes, grãos, raízes, tubérculos, leite, ovos e carnes fornecem nutrientes essenciais, como fibras, proteínas, vitaminas e minerais.

Na outra ponta estão os ultraprocessados, ricos em açúcar, gordura, sódio, conservantes e aditivos. Esses produtos, criados para intensificar sabor e aumentar a durabilidade, têm sido associados a problemas como obesidade, diabetes e até câncer. Exemplos incluem refrigerantes, salgadinhos, biscoitos recheados e balas.

Um relatório do Ministério da Saúde divulgado em 2025 mostra a dimensão do problema: entre cerca de 39 mil produtos embalados analisados no país de 2020 a 2024, aproximadamente 62% eram ultraprocessados, enquanto apenas 18,4% se enquadravam como in natura ou minimamente processados.

Adotar uma alimentação saudável, portanto, exige mais do que boa vontade no início do ano. Informação de qualidade, escolhas conscientes e acompanhamento especializado são peças-chave para transformar resoluções em hábitos duradouros.

Fonte: Jornal Correio

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