A ilha de Santa Helena, no Oceano Atlântico — Foto: Governo de Santa Helena/Divulgação
Uma das ilhas mais remotas no planeta está agora quase completamente desconectada do resto do mundo. Santa Helena, território ultramarino britânico situado entre Brasil e Angola, teve o único aeroporto fechado nesta semana. A imprensa local informou que turistas estão presos na ilha sem que haja previsão segura para a volta das operações.
Segundo as autoridades locais “a decisão se baseia em requisitos internacionais fixos de segurança e na falta de confiança na prontidão operacional dos caminhões de bombeiros, o que significa que o aeroporto não pode apoiar com segurança as operações de voo padrão neste momento”.
- A expectativa do governo é que pelo menos todos os voos até 20 de fevereiro sejam afetados.
- A ilha, com área de cerca de 120 quilômetros quadrados e pouco menos de 5 mil moradores, é normalmente servida com voos semanais para o aeroporto de Joanesburgo, na África do Sul.
- Também há um voo mensal conectando Santa Helena à Ilha de Ascensão.
Hoje, segundo o governo, Iates e navios de cruzeiro também frequentam a ilha, principalmente de outubro a abril, devido à sua localização no meio do Atlântico. Um serviço provisório de transporte de carga opera a partir de Luanda, com uma rota de aproximadamente 21 dias.
Refúgio de Napoleão
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Napoleão Bonaparte na Itália, no registro do dia 5 de abril de 1796 — Foto: Getty Images/BBC
Inaugurado há quase uma década, o aeroporto colocou Santa Helena na rota turística mundial. Até então, era uma ilha bucólica amplamente conhecida pelo seu papel histórico.
Foi lá, a 3 mil quilômetros do Brasil, que Napoleão Bonaparte se exilou em 1815, após perder a Batalha de Waterloo e uma viagem de dez semanas de navio.
Em 2017, o trajeto para alcançar o refúgio do imperador francês já durava bem menos, “apenas” cinco dias atravessando mares agitados de navio a partir da África do Sul. Com a chegada dos aviões, a viagem foi reduzida a seis horas.
Agora, o retorno à velha rotina traz perturbações para a ilha, onde o turismo se tornou atividade econômica central.
“Nós reconhecemos que isso afetará muitas pessoas, incluindo aquelas com planos de viagem futuros, aquelas que esperam visitantes e indivíduos com necessidades médicas urgentes que exigem viagens para fora da ilha”, disse o governo de Santa Helena nesta semana.
Santa Helena foi descoberta pelo almirante português João da Nova, que regressava da Índia quando avistou a ilha. Ele chegou em 21 de maio de 1502, no local onde hoje se encontra Jamestown.
Durante anos, a ilha serviu como escala para os marinheiros, que ali abasteciam seus navios com água potável e frutas, até que os britânicos começaram a se estabelecer. Desde 1988, Santa Helena tem a própria Constituição, mas continua sendo um território britânico ultramarino.
‘Elefante branco’
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O aeroporto de Santa Helena — Foto: Governo de Santa Helena/Divulgação
Não é a primeira vez, entretanto, que o aeroporto, financiado pelo Reino Unido, deu sinais de problema. Suas operações já foram interrompidas por causa de fortes ventos.
Em 2016, a comissão de contas públicas do país chamou o terminal de “elefante branco”, classificando como um “fiasco” o investimento de 285 milhões de libras esterlinas no seu planejamento e construção (o equivalente hoje a R$ 2 bilhões).
Em relatório, o órgão apontou que a imprevisibilidade dos ventos “produz condições perigosas na aproximação ao aeroporto e foi observada em Santa Helena por Charles Darwin em 1836”.
“Embora o aeroporto tenha recebido um pequeno número de voos, as condições do vento impediram a operação do serviço comercial planejado para a ilha.”
Segundo a BBC, o governo britânico foi alertado sobre a situação e uma equipe especializada se estabeleceu na ilha para trabalhar na reabertura do aeroporto.
Fonte: Portal G1 Mundo







