Empresas abandonaram a escala antes mesmo do projeto ser votado no Congresso Nacional – Foto: Paulo Pinto | Agência Brasil
Empresas do varejo decidiram adotar o fim da escala 6×1 antes do projeto ser votado no Congresso Nacional. Mesmo mantendo a carga horária semanal, as companhias que decidiram conceder duas folgas a seus funcionários viram aumentar o interesse de candidatos pelas vagas oferecidas.
Outro ponto positivo identificado foi a diminuição das faltas, assim como os afastamentos por doença e os pedidos de demissão. No entanto, para alguns setores, a mudança na lei vai derrubar a produtividade e aumentar o desemprego.
O Grupo Savegnago de supermercados, que tem 14 mil funcionários, acabou com a escala 6×1 em fevereiro. Com 64 supermercados e nove unidades do Paulistão Atacadista no interior paulista, o grupo já testava o modelo desde novembro.
Ao UOL, Michel Campos, gerente de Recursos Humanos, afirmou perceber que “a escala 5×2 poderia trazer mais equilíbrio entre vida pessoal e profissional sem comprometer a operação”.
A empresa ajustou a jornada diária para não precisar contratar mais funcionários e manteve as 44 horas semanais ao passar de 7h20 para 8h48 as horas trabalhadas diariamente, sem redução salarial.
A mudança aconteceu após dificuldade em contratar. A Associação Brasileira de Supermercados estimou, no ano passado, em 350 mil as vagas que o setor não conseguia preencher.
Outra empresa que adotou a escala 5×2 — e pelo mesmo motivo — foi a rede de supermercados Pague Menos, que tem 40 lojas pelo interior paulista e 8.000 funcionários.
A empresa elegeu a “atração e retenção de colaboradores” como razão para o fim da escala 6×1 sem redução da jornada e de salários, mudança implementada definitivamente em janeiro. Desde então, as faltas e os pedidos de demissão diminuíram.
Outras empresas que reduziram a jornada de trabalho:
- MOL Impacto – escala 4×3 sem redução salarial
- Hotel de luxo Palácio Tangará, no Morumbi — foi o primeiro a oferecer escala 5×2 em São Paulo
Custo do trabalhador
Segundo a pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a redução da jornada elevará entre 7,8% e 17,5% o custo do trabalhador com carteira assinada, dependendo do tamanho da redução da jornada, diz o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada.
Embora o governo deseje reduzir de 44 para 36 horas semanais, é provável que a redução aprovada seja para 40 horas.
Por outro lado, o desemprego médio não deve aumentar. O impacto seria menor do que os reajustes históricos do salário mínimo, que não afetaram o número de vagas, segundo o instituto.
Além disso, outro estudo indica pequeno aumento do desemprego. O CLP (Centro de Liderança Pública) adaptou ao Brasil um estudo que analisou a redução da jornada em Portugal de 44 para 40 horas. A produtividade por trabalhador cairia 0,7%, o emprego formal reduziria 1,1% e 638 mil empregos seriam cortados.
Escala 6×1
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugi Motta (Republicanos-PB), prometeu votar até maio o fim da escala 6×1. O parlamentar pretende ignorar uma Proposta de Emenda Constitucional enviada pelo governo, já aprovada no Senado, para votar um projeto da deputada Erika Hilton (PSOL-SP) e do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG).
Fonte: A Tarde







