Baependi, primeiro navio afundado pelo eixo no litoral baiano – Foto Arquivo Nacional
A escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã, nos últimos dias, acendeu o sinal de alerta do governo brasileiro. Em declaração recente, o assessor especial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Celso Amorim, afirmou que o Brasil deve “se preparar para o pior”.
Apesar da postura conciliadora adotada nas últimas décadas, o Brasil já esteve em grandes combates internacionais. Um dos exemplos mais lembrados é a participação na Segunda Guerra Mundial, que terminou em 1945, e que teve a Bahia como essencial para a tomada decisão de entrada no conflito.
Navios brasileiros atacados na Bahia
Embarcações brasileiras já haviam sido atacadas pelo ‘Eixo’, como era chamado o bloco liderado pela Alemanha Nazista de Adolf Hitler. Apesar disso, o governo brasileiro se manteve neutro no conflito, uma vez que o então presidente Getúlio Vargas mostrou, durante parte do seu mandato, fruto do golpe do Estado Novo, simpatia pelas ideias propagadas pelo ‘führer’.
O alinhamento chegou a inspirar o presidente do Brasil na elaboração da ‘Polaca’, como ficou conhecida a Constituição Federal de 1937.
Em janeiro de 1942, com as movimentações do presidente dos Estados Unidos, Franklin Roossevelt, o governo brasileiro se distanciou das ideias do Eixo, rompendo relações diplomáticas para ficar próximo da Casa Branca. Apesar disso, o Brasil procurou se manter neutro na guerra.
Em agosto de 1942, entretanto, o cenário mudou. O litoral baiano passou a ser alvo das ofensivas do Eixo, com embarcações atacadas. No dia 15 do mesmo mês, dois navios, o Baependi e Araraquara, ambos localizados na foz do Rio Real, divisa entre Sergipe e Bahia, foram abatidos pelos nazistas. Ao todo, foram 401 mortos.

Benito Mussolini e Hitler, líderes do Eixo | Foto: Arquivo Nacional dos EUA
Nas mesmas proximidades entre Sergipe e Bahia, no dia 16 de agosto, o Aníbal Benévolo foi afundado pelo Eixo, deixando um saldo de 150 mortos. No dia seguinte, 17 de agosto, o litoral de Salvador esteve no centro dos ataques alemães.

| Foto: Arquivo Nacional / Diário de Pernambuco
Os navios Itagiba e Arará foram afundados, com um saldo de 56 mortos. A sequência de ataques fez com o que Brasil tomasse, nos dias seguintes, a decisão de apoiar os ‘Aliados’ na Segunda Guerra, deixando de lado a posição de neutralidade, que havia sido reforçada por Getúlio Vargas.
Lista de navios afundados no litoral baiano (1942)
- Baependi
- Araraquara
- Aníbal Benévolo
- Itagiba
- Arará
- Jacira
22 de agosto de 1942
O dia 22 de agosto de 1942 deu início ao ‘giro’ de posicionamento do Brasil com relação ao conflito, declarando alinhamento formal aos Aliados, grupo formado por Estados Unidos, União Soviética, Reino Unido, China e França.
A decisão veio junto com a onda de manifestações e pressão para que o Brasil adotasse a posição.
Ante o inegável ato de guerra contra o país, com o afundamento dos cinco navios na costa de Sergipe, foi criada uma situação de beligerância que somos forçados a reconhecer na defesa da nossa dignidade, da nossa soberania e da nossa segurança e da AméricaComunicado do Brasil aos países do Eixo
31 de agosto de 1942 – Declaração do estado de Guerra
No último dia do conturbado mês de agosto de 1942, Getúlio Vargas assina o Decreto Nº 10.358, que declarava estado de Guerra em todo o território nacional.
É declarado o estado de guerra em todo o território nacionalDecreto Nº 10.358
1943 – Criação da FEB
Em 1943, Getúlio Vargas e os Estados Unidos avançaram nas relações, o que colocou o Brasil em um papel estratégico na guerra. Em janeiro, o presidente Roosevelt esteve em solo brasileiro para participar da ‘Conferência do Potengi’, que aconteceu em Natal, no Rio Grande do Norte.
Tivemos ocasião de estudar a segurança das Américas. Estamos convencidos de que cada uma das repúblicas americanas está nela igualmente atingida e interessada. A força está na unidadeComunicado em conjunto de Getúlio Vargas e Roosevelt

Notícias sobre a guerra em A TARDE | Foto: Divulgação / CEDOC
A Portaria Ministerial Nº 4.744, publicada em 9 de agosto de 1943, criou a Força Expedicionária Brasileira (FEB), que permitiu a organização militar para o embarque para a guerra.

Getúlio Vargas e Roosevelt, duarnte encontro em Natal | Foto: Arquivo Nacional dos Estados Unidos
1944 – A cobra fumou
O ano de 1944 marcou a ida dos chamados ‘pracinhas’ da FEB para o conflito. O primeiro grupo, formado 5.075 soldados, partiu no dia 2 de julho, contrariando os que duvidavam da participação efetivo do Brasil na guerra.

Navio com soldados da FEB | Foto: Divulgação / Arquivo Nacional
Em tom de deboche, os incrédulos diziam que era mais fácil ‘uma cobra fumar’ do que o Brasil entrar na guerra. Aproveitando o gancho, a FEB promoveu a ida de seus pracinhas com o slogan ‘A Cobra Vai Fumar’.
O Brasil participou, com sucesso, dos combates, como na Batalha de Monte Castelo, na Itália, episódio que simbolizou parte da derrocada do nazifascismo, em 1945. Meses depois, Benito Mussolini, líder fantoche da Itália fascista, foi capturado e executado.

Getúlio Vargas e pracinhas da FEB | Foto: Divulgação / Arquivo Nacional
Brasil condena ataques ao irã
O governo brasileiro se posicionou contra os ataques promovidos pelos Estados Unidos e por Israel ao território do Irã. Em nota, o Itamaraty condenou os bombardeios, reforçando o desejo do cumprimento dos tratados internacionais.
“O Brasil apela a todas as partes que respeitem o Direito Internacional e exerçam máxima contenção, de maneira a evitar a escalada de hostilidades e a assegurar a proteção de civis e da infraestrutura civil”, diz a nota.
Fonte: A Tarde







