Preço da cesta básica chega a R$ 609,60 e pressiona orçamento em Salvador – Foto: Jean Vagner/Ascom SEI
A cesta básica de Salvador registrou alta de 5,21% em março de 2026, o maior aumento desde o início da série histórica atual, iniciada há três anos com 25 produtos. O conjunto de itens passou a custar R$ 609,60, após acréscimo de R$ 30,21 em relação ao mês anterior.
O levantamento, realizado pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), considerou 3.358 cotações de preços em 92 estabelecimentos comerciais da capital baiana.
Dos 25 produtos analisados, 14 apresentaram aumento. O destaque foi a batata inglesa, que disparou 79,15%, seguida por tomate (52,85%), cenoura (45,78%) e cebola (30,38%). Também registraram alta itens como feijão (9,75%), ovos (7,79%) e leite (6,13%).
Por outro lado, 11 produtos tiveram redução nos preços, entre eles maçã (-12,09%), açúcar cristal (-6,74%), café moído (-5,04%) e óleo de soja (-3,68%).
Clima e oferta pressionam preços
Segundo o economista da SEI, Denilson Lima, fatores climáticos e sazonais explicam o avanço expressivo dos preços. “A persistência das chuvas nas regiões produtoras prejudicou a qualidade dos produtos e restringiu a oferta nacional, especialmente no caso da batata inglesa”, afirmou.
O especialista também destacou o impacto do fim de safras e da redução da oferta em produtos essenciais. O tomate, por exemplo, encareceu com o encerramento da safra de verão, enquanto a cenoura e a cebola foram afetadas por chuvas intensas e menor disponibilidade nos principais estados produtores.
Impacto no bolso do trabalhador
O peso maior no orçamento veio do chamado “almoço soteropolitano”, composto por itens como feijão, arroz, carnes, farinha, tomate e cebola, que subiu 10,42% e respondeu por 36,67% do valor total da cesta.
Já os alimentos típicos do café da manhã, como pão, leite, café e manteiga, tiveram leve queda de 1,32%, representando 32,97% do custo total.
Com a alta, o trabalhador de Salvador precisou dedicar 89 horas e 26 minutos de trabalho para adquirir a cesta básica. O valor compromete 40,66% do salário mínimo líquido, estimado em R$ 1.499,43 após desconto da contribuição previdenciária.
Fonte: A Tarde







