Chamada água de lastro pode trazer riscos ambientais Crédito: Imagem: PxHere
Quem observa grandes navios atracando em portos logo nota jorros de água saindo de suas laterais. Essa cena comum esconde uma engenhosa solução da navegação moderna: o sistema de lastro que mantém as embarcações estáveis.
Ao contrário do que muitos pensam, essa água não é resíduo, mas sim uma ferramenta crucial para a segurança marítima. Navios cargueiros precisam desse equilíbrio dinâmico para compensar mudanças de peso durante longas viagens oceânicas.
Como funciona o sistema de lastro nos navios
Quando um navio queima combustível ou descarrega parte de sua carga, torna-se mais leve e eleva sua posição na água. Esse fenômeno, chamado de calado, pode expor partes críticas como hélices e lemes, comprometendo a navegação.
Para evitar esse problema, os navios enchem tanques especiais com água do mar. O peso adicional mantém a embarcação na posição ideal, garantindo segurança nas manobras portuárias.
O sistema opera de forma dinâmica – à medida que o navio recebe nova carga, a água de lastro é gradualmente liberada. Essa troca constante explica os jorros visíveis quando as embarcações se aproximam da costa.
Os riscos ambientais do lastro mal gerenciado
A prática, porém, traz desafios ecológicos significativos. Navios que viajam entre continentes podem transportar espécies marinhas em seus tanques. Microrganismos e até peixes de 30 centímetros são levados juntos.
Casos como a introdução do mexilhão-dourado no Brasil demonstram o perigo. Essas espécies invasoras competem com a fauna local, podendo desequilibrar ecossistemas inteiros. O coral-sol, por exemplo, reduz a disponibilidade de algas para espécies nativas.
Além dos danos ecológicos, há riscos à saúde pública. A Anvisa já registrou casos de cólera transmitidos pela água de lastro, incluindo um surto com 400 infectados no Paraná. Por isso, portos como Santos agora exigem laudos de segurança biológica.
Fonte: Jornal Correio