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Uma boa razão têm os psicólogos brasileiros para escolher o mês de janeiro e a cor branca no pavilhão de uma campanha de saúde mental.
Janeiro inaugura mais um ano da invicta série nada ou pouco do que prometi está acontecendo. Neste primeiro mês, começamos a nos dar conta de como a ilusão das promessas frequentemente não passa de bruma, esvanecendo-se diante da realidade.
Branco remete à ideia de folha de papel a ser escrita, uma metáfora da capacidade de fazermos escolhas, com as quais preenchemos nossas lacunas. Pois então, a campanha Janeiro Branco pode até não persuadir a todas e todos, mas tem apoio da Organização Mundial da Saúde (OMS).
O psicodiagnóstico do Brasil é o de ansiedade. Um país ansioso dentro de um mundo esquizo, no qual narrativas se entrechocam enquanto guerras espalham dor, sofrimento e incerteza.
Uma primeira dificuldade é a de conciliar as rotinas triviais com o alcance de temas impossíveis de gerenciar como os desequilíbrios climáticos. Nos últimos anos, cresceu a intolerância, antes à lactose ou glúten, hoje contaminando as dimensões política, religiosa, clubística, sexista, racial…
Como conviver bem em família habitando na mesma casa e às vezes dormindo na cama de alguém de pensamentos não só divergentes, mas antagônicos? Neste auge da ambiguidade, faz falta a introdução à lógica: cada qual já vai para a tentativa de diálogo com sua conclusão elaborada, restando convencer o outro.
As novas tecnologias favorecem encontros e desencontros, produzindo desavenças, calúnias, injúrias, difamações e alguma chance de reconciliação. O resultado dos contextos enviesados vem em forma de humor instável, além de ansiedade, também as fobias, os delírios persecutórios e as psicopatias. Resta solicitar assistência psicológica, alcançando toda a população, em busca de alívio para a irremediável angústia de estar vivo.
Fonte: A Tarde







