A praga phakopsora pachyrhizi foi identificada no final de janeiro, em Correntina – Foto: BASF
Uma doença asiática identificada na soja na região oeste da Bahia está ameaçando a lavoura e a produção da safra do produto em 2026, no estado. A ferrugem asiática da soja é considerada extremamente agressiva, e de fácil propagação na sojicultura.
A phakopsora pachyrhizi foi identificada no final de janeiro pela Agência Estadual de Defesa Agropecuária da Bahia (ADAB), em uma propriedade rural localizada no núcleo de Linha Branca, no município de Correntina.
A cidade faz parte do Território de Identidade Bacia do Rio Corrente, caracterizado na agricultura familiar, produção de grãos e pecuária, em meio a transição Cerrado-Caatinga. Dentro do território também estão incluídos municípios como Santa Maria da Vitória (pólo), Cocos e Jaborandi.
Apesar da sua presença persistente nas últimas safras do Estado, a doença não é nova. A primeira identificação da phakopsora pachyrhizi foi no Paraná, em 2001. A doença, entretanto teria sido rapidamente espalhada pelo vento, e chegou à Bahia em 2003. Desde então, as produções da soja são acompanhadas com a praga.
Nas safras de 2023, 2024 e 2025, também foram identificada a presença da praga na soja, no Oeste da Bahia
A ferrugem asiática é uma das principais doenças que afetam a cultura da soja e sua ocorrência está associada a condições climáticas favoráveis, como umidade elevada e temperaturas amenas. Além disso, o vento se torna um fator decisivo na dispersão da praga em outras plantas.
Os sintomas da ferrugem-asiática ocorrem principalmente nas folhas e se iniciam pelo terço inferior da planta, aparecem como minúsculas pontuações mais escuras que o tecido sadio, com coloração esverdeada a cinzaesverdeada. Com o passar do tempo, as folhas infectadas pelo fungo tornam-se amarelas, ficam secas e caem
Impactos colossais na produção
A presença da doença asiática, quando não tratada ou prevenida, podem causar uma perda produtiva de até 90% nas lavouras de sojicultura. De acordo com o diretor de Defesa Sanitária Vegetal da ADAB, Vinícios Videira, a alta resistência da doença dificulta o seu combate.
“Depende da região e também das condições climáticas existentes, ela consegue ser bastante agressiva. A doença é conhecida por sua alta adaptabilidade, resistência e facilitação de dispersão dos seus esporos por meio do vento. As plantas severamente infectadas, apresentam desfolha precoce, que compromete a formação e o enchimento das vagens e consequentemente o peso final do grão”, explica o especialista.

| Foto: Fundação Bahia
Apesar das características quase imbatíveis da doença, Videira explica que nos últimos anos, a presença da praga tem aparecido de forma tardia, ou seja, após a produção completa da soja, o que possibilitou que o impacto da praga na produção tem sido “ínfimo”, tanto na produção quanto na comercialização exterior do grão.
“Nas últimas safras, o impacto foi muito ínfimo porque já foi acometido no final da colheita praticamente, então o período de risco já foi superado.
Bahia se destaca no combate da doença
De acordo com o diretor de Defesa Sanitária Vegetal, o Estado tem se destacado nos manejos da doença nas lavouras, principalmente com o apoio por meio de pesquisa pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), além da Adab e da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba).
A empresa de pesquisa aponta como caminhos assertivos para a eliminação da doença, a ausência da semeadura de soja utilização de cultivares de ciclo precoce e semeaduras no início da época recomendada como estratégia de escape da doença e a utilização de fungicidas.
Os fungicidas sítio-específicos utilizados no controle da ferrugem pertencem a três grupos distintos com uso de inibidores da doença.
“A Embrapa reconheceu a Bahia como o melhor que dinamiza o controle e o monitoramento da ferrugem. Além disso, os produtores contam com apoio da Adab para a prevenção à ferrugem e fiscalização das lavouras, enquanto a Aiba cumpre o seu processo orientativo aos produtores”, aponta Videira
Diante da confirmação do foco, a ADAB orienta produtores rurais, técnicos e responsáveis técnicos quanto à intensificação do monitoramento das lavouras e à adoção das medidas de manejo fitossanitário previstas na legislação vigente, incluindo o cumprimento do vazio sanitário e do calendário de semeadura estabelecidos para a cultura da soja no estado da Bahia.
A notificação da ocorrência da ferrugem asiática da soja é obrigatória, conforme previsto na legislação estadual de defesa fitossanitária, e deve ser realizada por meio dos canais oficiais da ADAB.
Fonte: A Tarde







