Daniela Mercury – Foto: Uendel Galter/Ag. A TARDE.
O Carnaval de Salvador está chegando ao fim, e Daniela Mercury foi uma das protagonistas da movimentação da festa popular. A cantora surpreendeu mais uma vez ao fazer um desabafo durante sua passagem pelo Circuito Osmar (Campo Grande), neste último dia de festa, terça-feira, 17.
Em cima do trio, enquanto cantava sua aposta para o verão, “É Terreiro”, a artista explicou o significado dos leques e espelhos utilizados na apresentação e fez uma declaração sobre a sociedade machista que marca a vida de muitas mulheres brasileiras e o privilégio masculino.
“São espelhos de bruxa, porque a sociedade mostra pra gente um espelho sempre distorcido de quem somos como mulheres. Essa sociedade é contaminada pelo machismo, pelo privilégio aos homens. As vozes dos homens são mais ouvidas, as opiniões dos homens são mais ouvidas, e a gente só quer igualdade. A gente dá uma ordem, precisa dar sete vezes, dez vezes, vinte vezes, até ser obedecida, e olhe lá. Se comigo acontece isso, agora imagine com as outras mulheres”, disse.
Em seguida, a cantora fez um pedido direto aos homens: “Escutem as vozes das mulheres, escutem os desejos das mulheres, escutem a liberdade e respeitem”.
Daniela ainda explicou que os espelhos representam uma forma de as mulheres se enxergarem com a própria grandeza e convocou o momento como um manifesto feminino durante o desfile.
“Esse é um espelho onde as mulheres podem se ver com toda a grandiosidade que são. Porque a gente se vê de forma distorcida por causa dessa história de patriarcalismo. As mulheres também eram propriedade dos homens, mas nós não somos propriedade de ninguém. Nós somos maravilhosas”, declarou.
Daniela no Carnaval de 2026
A passagem da cantora pelo Carnaval foi marcada por surpresas e polêmicas. Abrindo a festa com sua aposta de verão, “É Terreiro”, a música se consolidou como um verdadeiro manifesto contra a intolerância religiosa.
“A música que ela traz todo o tempo no Carnaval esse ano é ‘Terreiro’. Uma música-manifesto, que fala sobre intolerância religiosa e convoca o poder feminino. Daniela Mercury, que em sua própria composição artística, seja no corpo de baile, no grupo musical ou na banda, convoca, chama e requisita muitas mulheres”, explicou durante o circuito.
Além disso, o nome da artista esteve entre os mais comentados após a confusão envolvendo o trio da banda Psirico na saída dos trios no Circuito Dodô. O episódio gerou debates sobre a ordem das apresentações na Barra e também sobre sua relação com outros cantores baianos, em meio a uma disputa judicial envolvendo a organização do circuito.
Fonte: A Tarde







