Por Profaª. Dra. Melissa Luciana de Araújo*
O Dia Mundial do Rim, comemorado neste ano em 12 de março, tem como tema da campanha “Cuidar de pessoas e proteger o planeta”. Segundo a Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), a campanha nos convida a refletir sobre a necessidade de uma política de saúde inclusiva e sustentável, que assegure equidade no cuidado e acesso universal ao diagnóstico e à terapia renal substitutiva.
Apesar de todos os avaços nos últimos anos em relação ao tratamento clínico ao paciente renal nas diferentes fases do tratamento – conservador; terapia renal substitutiva; transplante – a importância dos cuidados coletivos, tais como alimentação saúdavel e adequada, prática da atividade física, controle do peso, abandono do tabagismo e do consumo de álcool permanece atual e necessária. Além desses cuidados serem essenciais para a proteção da função renal dos indivíduos que não apresentam agravos renais. Sendo assim, como a alimentação pode proteger a função renal?
Um estudo de 2025 conduzido pela equipe da Profª Denise Mafra acompanhou pacientes em tratamento conservador, ou seja, que ainda não estavam em tratamento de terapia renal substitutiva ( hemodiálise e diálise peritoneal), por 14 anos. Como resultado principal o trabalho demonstrou uma progressão mais lenta da doença renal naqueles pacientes que seguiram as orientações nutricionais, reforçando assim a importância da alimentação como pilar essencial na proteção da função renal.
Os maiores desafios na alimentação atual são o aumento da disponibilidade e do consumo, pela população, dos suplementos, alimentos fortificados e dos alimentos e bebidas industrializadas como salgadinhos, sanduíches, salgados, biscoitos, comidas rápidas e congeladas, macarrão instântaneo, carnes processadas (salame, bacon, presunto, hambúrguer) e os refrigerantes, reconhecidamente alimentos não saudáveis.
Esses produtos são fontes de proteína, sódio, gordura, açúcares que quando consumidos com frequência podem contribuir para o aumento de peso, surgimento de pressão alta e do diabetes. Causas principais do maior risco ao surgimento e agravamento da doença renal crônica.
Duas dicas de ouro: não acredite que a suplementação à base de whey protein, creatina, bebidas fortificadas com proteínas e suplementos como Vitamina D e Vitamina C são inofensivos e vão lhe fazer bem. Esses produtos só devem ser utilizados após uma avaliação criteriosa da função renal do indivíduo pelo nefrologista. E a comida de verdade em quantidades moderadas, especialmente em relação ao consumo de proteínas (carnes de boi, frango, peixe e suíno, ovos e os derivados do leite, principalmente) e a maior variedade das verduras, legumes, cereais, sementes e castanhas são fundamentais à proteção da função renal.
Na comemoração do Dia Mundial do Rim, lembre-se: a construção da saúde é um processo contínuo, diário e os melhores resultados estão relacionados com as mudanças no estilo de vida, sendo a alimentação um pilar essencial. Por onde você vai começar?
* Doutora em Saúde e Nutrição e docente das Faculdades Kennedy e Promove de Belo Horizonte. Instagram: @melissaraujonutri
“Este texto não reflete, necessariamente, a opinião”
Fonte: Hoje em Dia







