Até o momento, oito casos foram registrados, incluindo três mortes Crédito: Shutterstock
Neste fim de semana, 94 passageiros do cruzeiro MV Hondius foram evacuados, enquanto os 22 passageiros restantes devem seguir em voo único para a Holanda nesta segunda-feira (11). O navio está no centro de um surto de hantavírus provocado pela cepa Andes, única variante conhecida capaz de transmitir a doença entre pessoas em situações de contato muito próximo.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) avaliou que o avanço do vírus deve permanecer “limitado” caso as medidas sanitárias sejam mantidas. A agência também reforçou que o episódio “não é o começo de uma pandemia” e descartou comparações com a covid-19.
Até o momento, oito casos foram registrados, incluindo três mortes. Cinco infecções já foram confirmadas como hantavírus e outras três seguem sob investigação. As vítimas fatais são um casal de holandeses e uma passageira alemã.
Nesta segunda-feira (11), autoridades francesas confirmaram que uma passageira repatriada do MV Hondius testou positivo para hantavírus após apresentar piora no estado de saúde durante o isolamento em Paris. Segundo a ministra da Saúde da França, Stéphanie Rist, 22 contatos da paciente foram identificados e estão sendo monitorados.

Nos Estados Unidos, o Departamento de Saúde informou que um dos 17 americanos repatriados do navio apresentou teste positivo para a cepa Andes por PCR, enquanto outro passageiro desenvolveu sintomas leves.
Atualmente, passageiros seguem hospitalizados ou sob vigilância médica nos Países Baixos, Alemanha, Suíça, França, África do Sul e Estados Unidos.
A OMS alertou que novos casos ainda podem surgir, já que o período de incubação da cepa Andes pode chegar a até seis semanas. Apesar disso, autoridades internacionais afirmam que o risco de disseminação global permanece baixo.
“Não é o começo de uma pandemia”, afirmou Maria Van Kerkhove, responsável pela preparação e prevenção de epidemias da OMS.
O diretor de operações de emergência da entidade, Abdi Rahman Mahamud, reforçou que o surto tende a ser controlado com rastreamento de contatos e cooperação internacional.
No Brasil, o Ministério da Saúde informou que o episódio não representa risco ao país. Segundo a pasta, não há registro da circulação do genótipo Andes em território brasileiro e os casos nacionais de hantavírus não apresentam transmissão entre pessoas.
O ministério destacou ainda que, embora nove genótipos de Orthohantavírus já tenham sido identificados em roedores silvestres no Brasil, nunca houve transmissão interpessoal registrada no país.
A origem exata do contágio no cruzeiro ainda é desconhecida. O primeiro passageiro morto, um holandês de 70 anos, apresentou sintomas poucos dias após o embarque, indicando que a infecção pode ter ocorrido antes do início da expedição, que partiu de Ushuaia, na Argentina, rumo a Cabo Verde.
As autoridades sanitárias da Argentina e do Chile afirmam que ainda não é possível determinar onde ocorreu o contágio. O hantavírus é endêmico em áreas da Cordilheira dos Andes, especialmente na Argentina, onde cerca de 60 casos são registrados anualmente.
Fonte: Jornal Correio







