Fenômeno climático pode comprometer a produção agropecuária – Foto: Alessandra Lori/ Ag. A TARDE
Um cenário de Super El Niño semelhante ou mais intenso que o registrado entre 2015 e 2016 pode provocar prejuízos superiores a R$ 13 bilhões para a economia baiana. O alerta foi feito pela Federação da Agricultura e Pecuária da Bahia (Faeb), durante coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira, 21, em Salvador.
Segundo a entidade, o fenômeno climático pode comprometer a produção agropecuária, reduzir a oferta de alimentos, pressionar a inflação e elevar o preço da cesta básica, caso medidas preventivas não sejam adotadas. Além dos impactos econômicos, a Faeb também aponta consequências sociais, como o aumento da migração e do êxodo rural.
“O El Niño interfere diretamente no valor da cesta básica e na inflação. Também gera migração e êxodo rural. É importante que a imprensa compreenda que os impactos não são apenas ambientais, mas também sociais e econômicos”, destacou o presidente da Faeb, Humberto Miranda.
A preocupação ocorre em um momento em que 58 municípios baianos já possuem decreto de situação de emergência em razão da estiagem.
Planejamento para reduzir impactos econômicos
Durante a coletiva, Humberto Miranda afirmou que o estado precisa adotar medidas estruturantes para enfrentar os períodos de seca, em vez de agir apenas durante as crises.
“Não dá para ficar apagando incêndio toda vez que vem uma seca. Nós temos aquíferos, temos o semiárido mais chuvoso do mundo. Precisamos trabalhar com planejamento.”
Com esse objetivo, a Faeb encaminhou ao Governo da Bahia um ofício propondo um conjunto de ações divididas em três etapas: pré-emergenciais, emergenciais e pós-emergenciais.
Entre as medidas sugeridas estão a instalação de poços artesianos já perfurados e ainda inativos, abertura de novas linhas de crédito para investimentos em infraestrutura hídrica, formação de estoques estratégicos de milho para alimentação animal, ampliação da assistência técnica, fortalecimento do seguro rural e investimentos permanentes em barragens, reservatórios e tecnologias de convivência com o semiárido.
Agropecuária concentra maiores riscos
Os estudos elaborados pela Faeb apontam que diferentes cadeias produtivas podem registrar perdas expressivas em um cenário de seca severa.
Como parâmetro, a entidade relembrou os efeitos do El Niño de 2023/2024. Na ocasião, a Bahia perdeu mais de um milhão de animais em decorrência da redução das pastagens e da escassez hídrica, com impacto econômico estimado em R$ 1,13 bilhão.
Outras atividades também registraram prejuízos relevantes. A produção de café acumulou perdas superiores a R$ 339 milhões, enquanto a cadeia produtiva da banana teve impacto superior a R$ 210 milhões. Também foram identificados prejuízos na produção de cebola, leite, laranja, milho, mandioca, feijão, castanha de caju e na apicultura.
Segundo a Faeb, a adoção de medidas preventivas é fundamental para reduzir os impactos econômicos de um eventual Super El Niño sobre o agronegócio e, consequentemente, sobre toda a economia baiana.
Fonte: A Tarde







