‘Não tenho pressa’, declara aventureiro que está indo de Goiás até o Alasca a pé

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O aventureiro encara a maior aventura até agora: ir de Goiás até o Alasca a péReprodução / Instagram @aventurasdoformiga

De janeiro a dezembro de 2011, Fábio Santos pedalou pela América Latina. Nos Andes, escalou os 2.260 m do Cerro Piltriquitrón. Na Bolívia, viu a terra e o céu virarem um só no maior deserto de sal do mundo, o Salar de Uyuni. Na Argentina, comemorou o último dia do ano no “fim do mundo” em Ushuaia, a cidade mais austral do planeta. Quando retornou ao Brasil, planejou por 14 anos a próxima e desafiadora aventura, que ocorre neste momento: ir de Goiás até o Alasca a pé.

Do ponto de partida, Hidrolândia, ao de chegada, Fairbanks, a distância aproximada é de “apenas” 13 mil km. Santos pegou uma rota mais longa, de 24 mil km. “Eu não tenho pressa, mas eu tenho um cronograma. […] O motivo da viagem é estar com as pessoas”, afirmou em entrevista exclusiva ao R7, em 30 de junho, quando Santos havia acabado de chegar a San Ramón, na Bolívia.

Com US$ 7.500 e uma mochila cheia pesando 25 kg, ele deu os primeiros passos da viagem em 26 de março de 2026. No centésimo dia da aventura, havia caminhado 2.040 dos 24 mil km.

Foi ao trabalhar com crianças — como guia em estudo do meio, método de ensino que leva a sala de aula para o ar livre— que recebeu o apelido de Formiga, pois andava por todos os cantos.

Agora, teve que largar temporariamente o emprego e decidiu registrar cada dia de viagem em um perfil no Instagram, diferentemente de outras aventuras. Quando gravou um vídeo com o influenciador Pedro Berranteiro, viu seu próprio perfil chegar a 255 mil seguidores.

Já “famoso” nas redes, Formiga tem suas próximas paradas definidas. Entre elas estão a Estrada da MorteMachu Picchu e o temido estreito de Dárien, densa e perigosa floresta na divisa entre Panamá e Colômbia e conhecido por ser um ponto de encontro de cartéis.

“O medo da floresta não me assusta. Pode chover, ter barro, isso aí eu tiro de letra. A grande questão é acertar o caminho”, declara Formiga, que planeja atravessar a região acompanhado de um guia nativo.

Mesmo com os perigos, foi junto do mato e do asfalto que ele se encontrou. “Para mim não existe solidão. É uma solitude. Nela, eu sei exatamente quem eu sou”, reflete o mochileiro.

Veja a entrevista na íntegra:

R7 – Você já fez centenas de viagens, sempre registrando-as com fotos e escrevendo nos seus diários, mas o que te fez registrar essa no Instagram?

Fábio “Formiga” Santos: Faz 14 anos que eu voltei da última viagem que fiz, até o Ushuaia. Nessa época, a internet não tinha essa abrangência que tem hoje. Tenho um bom material guardado dessa última viagem, mas tudo em DVD.

Eu fazia as viagens para mim, nunca foi uma coisa de abrir. Sempre foi a minha peregrinação, o meu momento comigo mesmo, desde criança. Foram os meus amigos que encheram a minha paciência, falaram: “Meu, se você não colocar essa viagem na internet, nós vamos te bater!” [risos].

R7 – E você está surpreso com o sucesso que você tem feito?

Fábio “Formiga” Santos: Eu não imaginava. Quando comecei a postar, eu sabia que uma viagem dessa chamaria atenção, que ia atrair alguns seguidores, mas jamais imaginava essa repercussão. Tive uma grande sorte em encontrar o Pedro Berranteiro. Foi esse vídeo que viralizou. Na época, ele já tinha quase um milhão de seguidores. Ele é um cara muito gente boa.

Isso fez com que viessem até a minha página, e a galera se identificou muito com a caminhada. E está legal, de uma forma muito prática. Tem criado muitos caminhos para mim. Por exemplo, aqui na Bolívia eu estou famoso.

É muito engraçado: são três quilômetros até o hotel e demorei uma hora para chegar aqui, porque a galera vai parando, tirando foto, perguntando. Uma selfie aqui, outra ali. Eu acho muito legal estar junto com as pessoas. O motivo da viagem é estar com as pessoas. Então eu dou toda atenção para todos eles.

Um homem de mochila, com roupas leves e sandálias, está parado ao lado de uma placa azul que indica "PERÍMETRO URBANO - Cáceres". Ao fundo, há um arco metálico e uma estrada com alguns veículos passando. O céu está nublado, criando uma atmosfera tranquila. O cenário é rural, com vegetação à beira da estrada.
Antes de chegar à Bolívia, “Formiga” teve de atravessar o Mato Grosso, onde parou em CáceresReprodução / Instagram @aventurasdoformiga

R7 – Com todo mundo que você conheceu e de tudo que já viu até agora, qual foi a parte mais marcante dessa viagem?

Fábio “Formiga” Santos: Acho que esse encontro com o Berranteiro. Uma coisa muito legal que eu percebi é que não estou só interagindo com as pessoas da estrada, né? Eu estou interagindo com as 255 mil que me seguem. A galera manda umas mensagens muito legais e, dentro do possível, eu tento responder todo mundo. Essa quebra de “barreiras” foi muito legal.

Eu não estou só interagindo com as pessoas da estrada, né? Eu estou interagindo com as 255 mil que me seguem.

(Fábio “Formiga” Santos)

R7 – Você diria que os seguidores te ajudam a continuar em frente e suportar as dificuldades do caminho?

Fábio “Formiga” Santos: Sim! Por exemplo, aqui na Bolívia criou uma “corrente”. Para você ter uma ideia, é a primeira vez que eu estou dormindo em hotel; todo mundo me convida à casa de alguém. Falam: “Ó, está passando um amigo meu, dá um abrigo para ele”. Então, de forma prática, essa corrente tem me resguardado.

Além de todo o carinho, amor e simpatia do povo boliviano, eles têm cuidado de mim. Para você ter uma ideia: hoje eu tinha saído de San Javier, já tinha andado 12 km e apareceram três meninas de moto. Falaram que vieram me ver, me levaram um isotônico, uma água, tiraram uma selfie. Então essa questão tem me ajudado muito. Sem a ajuda dos seguidores, a minha viagem estaria sendo em outra toada, com certeza.

Sem a ajuda dos seguidores, a minha viagem estaria sendo uma outra toada, com certeza.

(Fábio “Formiga” Santos)

R7 – Mas você já teve que passar por alguns perrengues durante essa caminhada, não é?

Fábio “Formiga” Santos: Quando eu cheguei a Balneário Salgadeira, uma família me convidou para comer uma galinhada. Lá, eles fazem esses “pratos-monstro” para a família inteira. Eu comi e estava uma delícia! Não parecia ter nada ruim. Nenhuma crítica a eles, claro, mas ela não caiu bem.

Comecei a passar mal, diminuiu meu rendimento e não cheguei onde tinha que chegar. Dormi ali pelo meio do mato, mas já estou acostumado com isso. A hora que eu encontrei um rio, botei a galinhada para fora. Tomei um banho e, no outro dia, já estava pronto para a caminhada.

Mas assim eu sei que estou no começo da viagem. Hoje são 97 dias, ainda é o começo. Sei que eu ainda estou nesse lugar de alegria de sair para a viagem, nesse êxtase de estar realizando um sonho. Então, se eu disser que passei algum perrengue, vou estar mentindo; não passei nada.

Acho que a única coisa que me deu uma chateada foi quebrar meu celular antes de sair de San Ignacio. Eu não disponho de um caixa grande; ele é básico para algumas emergências como essa. Mas depois eu troquei o celular por um com câmera melhor, então até que foi bom.

R7 – Como você disse, ainda é o início da viagem. O que você ainda espera encontrar pela frente?

Fábio “Formiga” Santos: Todas as pessoas que eu puder. Às vezes você está tentando bater uma meta; eu, por exemplo, faço 40 km por dia. Você tem que caminhar para poder chegar, não dá para você ficar parando muito tempo, mas mesmo assim, eu me entrego ao luxo de parar para as pessoas. Eu escuto as pessoas quando elas me param, querem perguntar ou tirar uma selfie.

Eu me entrego ao luxo de parar para as pessoas. Eu escuto as pessoas quando elas me param, querem perguntar ou querem tirar uma selfie.

(Fábio “Formiga” Santos)

Às vezes, no inconsciente, você fala assim: “Nossa, estou parando muito aqui, vai me atrasar”. Que nem quando eu saí de São Ignacio, eu caminhei 12 km, que demoraram quatro horas, porque todo mundo queria tirar foto e eu quase não conseguia caminhar. Mas eu nem ligo. Fico ali na cabeça, mentalizando. Tudo bem se eu atrasar.

R7 – E depois de San Ramon, quais são as suas próximas paradas?

Fábio “Formiga” Santos: Eu estou indo para uma região da Bolívia chamada Beni, uma região florestal. Daqui eu vou para Trinidad, depois para San Borja e aí eu vou passar pelas Yungas, que são os caminhos pelas serras. Lá tem a Estrada da Morte, que é cravada na montanha, formando um penhasco.

Daqui a um mês, devo chegar em La Paz, e então quero parar um pouco, tomar um fôlego, dar uma bela descansada por uma semana ou dez dias. Também quero ver se eu consigo escalar, ou pelo menos subir até onde der, no Illimani, que é a segunda montanha mais alta da Bolívia.

Formiga está sentado em uma rocha, sorrindo, à beira do vasto deserto de sal de Uyuni. Ao fundo, há uma paisagem montanhosa sob um céu azul com nuvens brancas. A superfície do sal reflete o céu, criando uma ilusão de continuidade entre o chão e o horizonte. O aventureiro usa uma camisa de manga longa e um lenço na cabeça, e parece estar desfrutando do ambiente tranquilo e deslumbrante.
O aventureiro já fez uma viagem anterior pela América Latina onde visitou o Salar de UyuniReprodução / Instagram @aventurasdoformiga

Depois sigo para Machu Picchu, já no Peru, e continuo rumo ao norte. Aí vai Equador, Colômbia e o maior desafio da viagem é a travessia do estreito de Darién, que não tem estrada. Eu também não vou fazê-lo sozinho. Tenho um guia indígena que o Pedro Berranteiro me passou o contato. Só que ainda vai ser um grande desafio, tanto a travessia quanto juntar o dinheiro. Ele cobra US$ 4.500; eu não tenho isso no bolso…

Mais para frente, vou para a América Central e entro nos Estados Unidos por San Diego. Vou pela Califórnia até São Francisco, atravesso as Montanhas Rochosas no sentido de Salt Lake City e vou para o Yellowstone Park. Depois eu vou para a Colúmbia Britânica, no Canadá, e aí já entro para o Alasca. Chegando em Fairbanks, vou me decidir se continuo um pouco mais ao norte até Prudhoe Bay, porque quero ver o mar congelado.

A grande questão é o clima. Tenho que chegar lá até setembro de 2028 para não pegar o inverno do Alasca. Eu não tenho pressa, mas tenho um cronograma pelas questões de adversidade climática. Porque senão eu pego uma intempérie muito forte e aí não adianta querer ser super-herói.

R7 – Queria que você contasse sobre como planeja atravessar o estreito de Darién, que é uma área bem perigosa.

Fábio “Formiga” Santos: Como eu sou meio mateiro desde criança, estar sozinho em uma floresta não me assusta. Em São Paulo, cansei de descer a Serra do Mar por dentro da mata ao longo de três ou cinco dias. Então, floresta não é uma coisa que me assusta. Mas eu sei qual é a dimensão de Darién. Quando me organizei para a viagem, me debrucei para saber qual é a realidade da situação.

Floresta não é uma coisa que me assusta, mas eu sei qual é a dimensão do Darién. […] Quem não aguenta vai ficando pelo caminho, essa que é a verdade

(Fábio “Formiga” Santos)

Quem não aguenta vai ficando pelo caminho, essa que é a verdade. Quando eu encontrei o Berranteiro, ele me falou desse guia, que é um indígena e faz essa travessia.

O medo da floresta, essas coisas, isso não me assusta. Pode chover, ter barro, isso aí eu tiro de letra. A grande questão é acertar o caminho. Outro problema é que quando eu chegar lá, vou ter que fazer uma vaquinha para juntar esses US$ 4.500 [para pagar o guia].

R7 – Além do Darién você ainda vai atravessar o deserto de Sonora, nos Estados Unidos, certo?

Fábio “Formiga” Santos: Sim. É outro lugar bem rígido. Uma das estratégias é tentar contratar alguém na cidade antes de fazer a travessia para me abastecer no caminho e levar água e comida, para que eu consiga ter uma autonomia maior.

R7 – Sobre valores, agora: você esperava juntar US$ 10 mil para fazer a viagem inteira, mas acabou não chegando a esse valor.

Fábio “Formiga” Santos: Quando eu saí, tinha US$ 7.500, e já baixou bastante por conta de várias coisas. Comprei um saco de dormir, a questão do celular. O Brasil foi muito caro, porque, como eu não tinha a “fama” ainda, tive que pagar hospedagens e comida. Agora é que eu praticamente não estou gastando nada.

R7 – Então você não acha que vai ter que trabalhar no meio da viagem, como fez na aventura na Patagônia?

Fábio “Formiga” Santos: Eu já saí pensando nesses trabalhos para poder reabastecer o caixa, mas se seguir na toada que está sendo a Bolívia, eu não vou precisar. Se as pessoas continuarem me esticando a mão, me dando hospedagem e às vezes até me dando dinheiro, eu acho que vai numa toada mais tranquila. Mas vamos ver como vai ser quando eu chegar no Peru.

Formiga sorri em um Piltriquitón coberto de neve. O aventureiro segura um pico de gelo vermelho com a mão direita. Ele veste um casaco azul e um cachecol verde, com um capuz na cabeça. Ao fundo, há uma vasta paisagem montanhosa sob um céu limpo e azul. A cena transmite uma sensação de conquista e aventura.
O aventureiro viveu em uma montanha por seis meses e aprendeu a esquiar enquanto estava láReprodução / Instagram @aventurasdoformiga

R7 – Para encarar essas surpresas, o que você leva nessa sua mochila, além do saco de dormir? Quanto ela costuma pesar?

Fábio “Formiga” Santos: Em média, costuma pesar 20 kg. Aqui tem comida, água, minha barraca, meu saco de dormir, um kit de primeiros socorros, minha roupa, um segundo par de tênis e o meu equipamento de filmagem, que é um tripé, um gimbal (estabilizador), meu celular e um powerbank.

Eu levo duas trocas de roupa para caminhada e outras duas para estadia. Sempre que paro em algum lugar, lavo tudo. Ah! Eu sofro com essa questão de ter que pôr uma roupa suja no outro dia. Não gosto, mas às vezes tem que ser assim. Que nem quando fiz de San Matias até Las Petas. Foram 90 km e eu tive que dormir suado algumas noites. Não tem o que fazer. Eu vou entrar lá no meio do lago com jacarés para tomar banho?

Eu sofro com essa questão de ter que pôr uma roupa suja no outro dia. […] Não tem o que fazer, eu vou entrar lá no meio do lago com jacarés para tomar banho?

(Fábio “Formiga” Santos)

R7 – E o que a sua família acha das suas viagens? Como está a sua comunicação com eles durante a caminhada?

Fábio “Formiga” Santos: É a primeira vez que estou levando o celular comigo, então consigo falar com eles de um jeito muito mais fácil. Antigamente, eu ligava quando dava, que eram poucas vezes, e era uma hora ou mais de papo. Agora está mais tranquilo.

Já sobre as minhas viagens, nunca foi muito fácil com eles. Eu tive muito preconceito, de várias formas. Tanto da família, porque tinha muito essa questão do: “Ah! Pô, vai crescer! Você é doido? Vai trabalhar, fazer alguma coisa, só vai ficar viajando?!”. Eles nunca deixaram de me ajudar, mesmo a contragosto. Sempre que eu precisava de alguma coisa eles estavam lá. Tanto é que a minha mãe me deu minha primeira barraca.

Antes de sair de casa para ir até o Alasca, “Formiga” se despediu da própria mãeReprodução / Instagram @aventurasdoformiga

Ainda assim foi muito difícil. Eu mesmo passei por várias questões mentais. Quanto mais uma pessoa te fala que você está errado, você começa a se perguntar se ela não está falando a verdade, né? Várias vezes, principalmente entre meus 20 e 30 anos, fiquei nesse questionamento de: “Será que eu sou mesmo vagabundo? Que eu só trabalho para fazer minhas aventuras quando eu deveria focar em uma carreira?”.

Minha conclusão sempre foi a de que eu estou fazendo a coisa certa. Estou muito feliz com o que eu faço. Depois dessa explosão no Instagram, minha mãe falou uma frase que eu nunca mais vou esquecer. Ela virou para mim e disse: “Filho, você foi contra tudo e contra todos — até contra a sua mãe —, mas você obteve sucesso nas suas coisas. Então, parabéns, porque você realmente nasceu para fazer isso”.

Isso me marcou muito e foi uma das coisas que ela me disse quando eu ainda estava em casa. Ela está muito feliz em ver a galera me ajudando também. Mãe é mãe, né? Quer o filho bem cuidado.

R7 – Por mais que tenha essa conexão, na maior parte do tempo você está sozinho no meio da estrada. Como você lida com isso?

Fábio “Formiga” Santos: Eu lido bem. Para mim, não existe solidão. É uma solitude. Gosto de apreciar a paisagem. Hoje mesmo foi um dia muito animado; passei o tempo cantando, rindo, cumprimentando a galera. A solidão, para mim, não dói. Acho que, por eu ter sempre sido aventureiro, acabei me acostumando. Acho que isso mostra muito sobre o que são as viagens para mim.

Quando você está sozinho, não existe para quem pôr uma máscara, né? Se você está com medo, está com medo. Se está feliz, está feliz. Quando você está nessa sozinho, é onde você percebe quem você é, tanto as suas fraquezas quanto as suas forças. Eu acho que ali é onde eu me encontro mais comigo mesmo. Nessa solitude, eu sei exatamente quem eu sou.

R7 – E em todo esse momento de reflexão até agora, quase 100 dias, o que você já aprendeu sobre humanidade e empatia?

Fábio “Formiga” Santos: Que eu ainda tenho muita coisa para aprender. Acho que eu nunca vou parar de aprender. Mesmo não sendo um aventureiro de primeira viagem, não imaginava esse carinho todo que eu estou vivendo. A galera vem me abraçar como se eu fosse um irmão e me bota para dentro de casa como se eu fosse um filho.

Fonte: R7

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