Além do pix: veja as tecnologias que vão mudar o dinheiro em 5 anos

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Novas tecnologias devem surgir nos próximos cinco anos – Foto: Divulgação

O PIX revolucionou o mercado financeiro ao trazer praticidade e rapidez à circulação do dinheiro no Brasil. Não à toda, tornou-se o modelo de pagamento mais usado do país, superando as modalidades tradicionais como cartões, TED e boletos.

Para Leonardo Baptista, CEO e cofundador da Pay4Fun, instituição de pagamento brasileira, o Pix é considerado uma “espinha dorsal” da economia digital brasileira. “Hoje o Pix manda no mercado. Todas as transações no mercado de apostas legal, se baseiam em Pix”, afirmou o executivo em entrevista.

Segundo Baptista, a discussão agora deve se concentrar menos na substituição de um meio de pagamento por outro e mais na criação de um ambiente financeiro seguro, rastreável e integrado.

“O Pix foi o começo de uma transformação muito maior. Nos próximos anos, veremos pagamentos cada vez mais instantâneos, integrados a plataformas digitais e apoiados por mecanismos avançados de identificação, prevenção a fraudes e análise de dados” afirma Leonardo Baptista, CEO e cofundador da Pay4Fun

1. Novidades no Pix

A agenda do Banco Central indica que o Pix continuará evoluindo. Entre as prioridades estão:

  • Pix por aproximação
  • Pix Parcelado
  • Pix em garantia
  • Aperfeiçoamento do Mecanismo Especial de Devolução (MED 2.0)

O Pix Automático também deve ampliar o uso do sistema em pagamentos recorrentes, como mensalidades, assinaturas, seguros, contas de serviços e cobranças empresariais. A lógica é semelhante à do débito automático, mas com uma experiência mais simples e potencialmente acessível a um número maior de empresas e consumidores.

2. Open Finance transforma dados em crédito

Lançado em 2022, o Open Finance também promete revolução no mercado financeiro. O sistema permite que o consumidor autorize o compartilhamento de seus dados financeiros entre instituições, facilitando a comparação de produtos, a portabilidade de crédito e o acesso a serviços personalizados.

O Banco Central vem trabalhando na expansão do Open Finance para crédito, investimentos, portabilidade de salário e soluções voltadas a empresas. Em abril de 2025, a instituição informava 52 milhões de clientes e 3,3 bilhões de consultas semanais no sistema.

Números mais recentes divulgados pelo setor financeiro apontam mais de 126 milhões de usuários ou consentimentos. A comparação exige cautela, pois clientes, usuários e consentimentos são métricas diferentes.

Na prática, o Open Finance pode reduzir a dependência do consumidor em relação ao banco onde mantém sua conta principal. Uma fintech poderá analisar, com autorização, a movimentação financeira do cliente em diferentes instituições e oferecer crédito com base em um histórico mais completo.

3. Inteligência artificial nos bastidores

A inteligência artificial será uma das principais tecnologias por trás da nova infraestrutura financeira de bancos e fintechs. Já há modelos que identificam transações suspeitas, analisam crédito, automatizam atendimento e personalizam ofertas.

A Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2026 estima investimentos de R$ 50,4 bilhões em tecnologia no setor bancário ao longo do ano. Cibersegurança é prioridade para todas as instituições pesquisadas, enquanto cloud e inteligência artificial generativa aparecem entre as principais frentes de investimento.

4. Pagamentos internacionais e novas fronteiras

O Pix também começa a ultrapassar as fronteiras brasileiras. Atualmente, já pode ser utilizado em estabelecimentos de oito países por meio de soluções que fazem a conversão automática para reais. O Banco Central, contudo, ainda não considera isso um Pix internacional oficial.

A expansão internacional pode reduzir a dependência de cartões e facilitar compras de brasileiros no exterior, especialmente na América do Sul. Para isso, ainda serão necessários acordos cambiais, interoperabilidade entre sistemas, padrões comuns de QR Code e regras de proteção contra fraudes.

Outra possibilidade é o avanço das stablecoins e de outros ativos digitais lastreados em moedas tradicionais. O Banco Central já incluiu a tokenização e os ativos virtuais entre os temas de sua agenda regulatória.

Impacto para empresas e consumidores

Nos próximos cinco anos, a transformação deverá aparecer em situações cotidianas:

  • pagamentos recorrentes autorizados uma única vez;
  • compras por aproximação sem cartão físico;
  • crédito baseado no histórico financeiro completo do cliente;
  • sistemas antifraude que analisam comportamento em tempo real;
  • ativos e recebíveis utilizados digitalmente como garantia;
  • pagamentos internacionais com conversão automática;
  • serviços financeiros integrados a aplicativos, marketplaces e plataformas de comércio.

Para as empresas, a consequência será uma redução potencial no tempo de recebimento e nos custos operacionais. Também aumentará a pressão por integração tecnológica, conformidade regulatória e capacidade de monitorar transações.

Para o consumidor, a experiência tende a ser mais simples, mas exigirá maior atenção a consentimentos, cobranças automáticas, golpes e uso de dados pessoais. O dinheiro poderá ficar mais rápido e invisível e justamente por isso será necessário tornar os controles mais claros.

Fonte: A Tarde

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