Telxius vai trazer navio de manutenção ao Brasil para reparar cabo submarino na costa da Bahia

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A Telxius, empresa responsável pelo cabo submarino danificado que afetou a qualidade da internet na Bahia na semana passada, vai trazer um navio de manutenção ao Brasil para reparar ou eventualmente substituir o componente. A empresa ainda não sabe o que houve com o cabo e só terá total dimensão do dano quando retirá-lo das profundezas do oceano.

“Não é um dano causado por vandalismo – seria impossível – ou animal marinho. É algum desgaste”, afirmou Rafael Sgrott, presidente da empresa no Brasil, ao Tele.Síntese, nesta terça-feira, 14, durante o evento Latam Capacity, em São Paulo. “O cabo tem 23 anos, mas a vida útil é muito mais longa”, complementou.

Segundo Sgrott, a falha em questão foi no cabo SAM-1. O componente liga Fortaleza a Santos (SP), passando por Rio de Janeiro e Salvador. O dano ocorreu em uma branch unit (derivação) localizada a 30 km da costa da capital baiana. O cabo reside a uma profundidade de 1.5 mil metros a 2 mil metros do fundo do mar.

O reparo será feito por um navio de manutenção do consórcio APMA. Antes de chegar ao Brasil, a embarcação, que presta serviço nas águas dos oceanos Atlântico e Pacífico, deve repor os estoques de peças. A expectativa é de que o conserto, ou a eventual substituição do componente, seja feito em até 30 dias.

“Nunca tivemos nenhum incidente desse tipo em 23 anos de operação. Já enfrentamos furacão e tsunami, mas nada que gerasse esse problema. Só vamos descobrir quando puxar o cabo do fundo do mar”, disse Sgrott.

Operação de emergência

A falha foi sentida na noite do dia 4 de março, um sábado. Em seguida, a Telxius iniciou um “plano de guerra” com seus parceiros para desviar a rota de dados. A empresa recorreu ao cabo submarino da América Móvil, o AMX-1, e a infraestruturas terrestres.

De acordo com o presidente da Telxius no Brasil, nos dias 6 (segunda-feira) e 7 de março (terça-feira), a empresa mobilizou uma força-tarefa junto de parceiros para desviar o tráfego que chegava à sua estação de transmissão. No dia 8 de março (quarta-feira), a companhia notou que o SAM-1 não estava completamente inutilizado na derivação de Salvador, o que possibilitou, com o mínimo de potência, levantar uma contingência de modulação de tráfego.

“Na quarta-feira [8 de março], grande parte das comunicações de Salvador foi restabelecida”, assegurou Sgrott.

Segundo ele, no momento, como os provedores regionais também fizeram contingências diante da falha do cabo submarino, usuários de banda larga devem estar utilizando a internet normalmente na Bahia. Ainda assim, a ocorrência de instabilidades deve ser maior, uma vez que grande parte do fluxo de dados tem sido redirecionada por infraestruturas terrestres, menos resilientes do que rotas submarinas.

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