Qual o verdadeiro valor da sua saúde?

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Marcos Caringi*

Muitas pessoas tentam mensurar o valor da saúde observando apenas o preço de consultas, exames, medicamentos ou mensalidades de planos. Na prática, porém, o verdadeiro valor raramente aparece na fatura. Ele está na disposição para o dia a dia, na capacidade de manter uma rotina equilibrada, na autonomia ao envelhecer e, sobretudo, no tempo de vida vivido com qualidade.

Historicamente, o cuidado com a saúde foi tratado de forma pontual: muitas pessoas só buscam tratamento quando os sintomas começam a impactar a rotina. Essa lógica, além de sobrecarregar o sistema de saúde, costuma ampliar os impactos físicos, emocionais e financeiros para o indivíduo. Afinal, em praticamente todos os cenários, lidar com um problema já agravado tende a ser mais oneroso do que manter uma rotina consistente de cuidado e acompanhamento ao longo do tempo.

Dados do Atlas Mundial da Obesidade 2025 mostram que essa conta já chegou. Atualmente, cerca de 31% dos brasileiros vivem com obesidade, e as projeções indicam que o custo dessa condição para o Brasil pode comprometer até 4,6% do PIB nos próximos anos. Esse número não reflete apenas gastos hospitalares, mas os “custos invisíveis” associados à queda de produtividade, ao absenteísmo e ao bem-estar.

Cuidar da saúde vai além de consultas isoladas ou decisões tomadas apenas em momentos críticos. Envolve acompanhamento contínuo, acesso a orientação qualificada e construção de hábitos sustentáveis dentro da realidade de cada pessoa. Em um cenário marcado pelo excesso de informação e pela busca constante por resultados imediatos, ter suporte confiável e acompanhamento responsável faz diferença não apenas nos resultados clínicos, mas também na segurança e na continuidade do cuidado.

Os custos do adoecimento surgem na dificuldade de manter o ritmo profissional e nas limitações impostas à vida pessoal. Conforme apontado em estudo publicado pelo Ipea, a obesidade adulta impacta diretamente o rendimento e a permanência no mercado de trabalho, gerando um ônus socioeconômico que afeta o indivíduo e a economia como um todo. Mais do que números, esses dados mostram como o desgaste metabólico e físico afeta a sociedade de forma sistêmica.

Nesse contexto, cresce a demanda por modelos de cuidado mais acessíveis, práticos e integrados à rotina das pessoas. A tecnologia tem desempenhado um papel importante nesse processo ao aproximar pacientes de acompanhamento especializado, facilitar o acesso à informação qualificada e contribuir para maior adesão às jornadas de cuidado.

Ao mesmo tempo, o aumento do interesse por temas relacionados à saúde e bem-estar também ampliou o volume de informações disponíveis sobre tratamentos, alimentação e emagrecimento.

Embora isso facilite o acesso ao tema, também torna mais importante a busca por orientação qualificada, acompanhamento profissional e soluções baseadas em critérios clínicos e individualizados.

Talvez o maior erro esteja justamente em avaliar a saúde apenas pelo menor custo imediato. Muitas vezes, o barato sai caro quando falamos de produtividade, equilíbrio emocional, bem-estar e longevidade. No fim, o verdadeiro valor da saúde talvez esteja menos em quanto ela custa e mais em tudo aquilo que ela nos permite continuar vivendo: com qualidade, segurança e acompanhamento adequado ao longo do tempo.

*Diretor de Growth e Marketing da Voy, empresa de gestão de saúde que fornece acesso a jornadas de emagrecimento.

“Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Jornal Hoje em Dia”.

Fonte: Hoje em Dia

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