Tarifaço pode aumentar preço da gasolina? Saiba o que muda

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O impacto não deve ser tão grande à economia brasileira – Foto: Divulgação

A cinco dias para entrar em vigor, o tarifaço dos Estados Unidos (EUA) aos produtos brasileiros em 25%, anunciado na quarta-feira, 15, já estremeceu a dinâmica do mercado cambial, puxando a operacionalização do dólar para cima. Mas qual será o impacto do tarifaço no preço dos combustíveis, em especial a gasolina no Brasil?

Especialistas ouvidos pelo Portal A TARDE explicam que apesar da taxação extra a alguns setores como alimento, indústria e química, o impacto não deve ser tão grande à economia brasileira, isso porque o país trabalha com “redirecionados” para novos parceiros comerciais desde que a primeira taxação foi implementada nos produtos exportados aos EUA.

Gasolina mais barata ou mais cara?

Atualmente, a precificação de combustíveis na Bahia depende da política da Acelen, responsável pela Refinaria de Mataripe e dos preços dos combustíveis às distribuidoras. Quando o custo do petróleo internacional, câmbio ou frete sobem, os produtos também sofrem alterações.

Para a economista Ana Georgina, essa nova pressão comercial dos EUA e a instabilidade cambial resultada pelo anúncio das tarifas pode sim trazer influências na Bahia, principalmente no preço de combustíveis na Bahia, mas o impacto pode não ser maior devido à valorização do real.

“A variação cambial tem acontecido o contrário. O real tem se valorizado em relação ao dólar. O dólar tem caído, tem reduzido a cotação. O impacto cambial causado pelo tarifaço pode ser muito localizado, pode estar presente num primeiro momento por conta do impacto da notícia. Mas não quer dizer que a gente vá ter uma grande variação cambial por conta disso”, explicou a especialista.

O Sindicombustível, entidade que representa a categoria dos postos revendedores de combustíveis da Bahia, disseram ao Portal A TARDE que a questão específica do aumento do dólar com o anúncio do tarifaço não terá grande impacto nos preços; já questões relacionadas à retomada da guerra e o reflexo no mercado têm maior interferência nos preços dos combustíveis.

Questionada sobre como a instabilidade cambial causada pelas taxas norte-americanas afetará a política de preços de Mataripe, a Acelen não confirmou eventual alta ou baixa dos preços, mas respondeu que os preços dos produtos seguem critérios de mercado, como custo do petróleo internacional; câmbio e frete, que podem variar para cima ou para baixo.

“A empresa possui uma política de preços transparente, amparada por critérios técnicos, em consonância com as práticas internacionais de mercado”, continuou em nota.

Principais produtos impactados

As tarifas de 25% sobre os produtos brasileiros devem entrar em vigor a partir do dia 22 de julho, e atingem os seguintes setores:

Alimentos

  • Carne bovina
  • Frutos do mar e derivados
  • Hortaliças e fungos
  • Raízes e tubérculos
  • Frutas
  • Nozes
  • Café e outros estimulantes
  • Bebidas e estimulantes
  • Cacau e derivados
  • Especiarias
  • Produtos processados

Recursos naturais, minerais e combustíveis

  • Minérios
  • Minerais
  • Energia e combustíveis

Produtos Químicos, Fertilizantes e Medicamentos

  • Químicos industriais
  • Fertilizantes
  • Saúde e Farmacêuticos

Setor Aeroespacial e outros itens industriais

  • Motores e peças
  • Componentes de voo
  • Equipamentos interno
  • Materiais diversos
  • Madeira
  • Papel e celulose
  • Metais preciosos
  • Tecnologia

A especialista explica ainda que se o Brasil estivesse dependente das importações norte-americanas, os efeitos seriam ainda maiores.

“Se for em questão da notícia, a variação cambial pode ter um efeito momentâneo, mas não acredito que deva pressionar o câmbio por muito tempo”, continuou Ana Georgina.

Etanol na mira dos EUA

Um mercado em constante ascensão no Brasil, o etanol de milho também entrou na mira do tarifaço dos Estados Unidos. Especialistas acreditam que o etanol seja a maior preocupação, com a taxação dos EUA, entretanto pode não ter impacto tão grande para o Brasil.

“Hoje o Brasil consome cerca de 20 milhões de toneladas de milho para etanol, tem sido um segmento que tem crescido de forma bastante acelerada e responde por 22% do consumo interno de milho no Brasil. No entanto, o volume exportado de etanol para os Estados Unidos tambem é reduzido pois este é o maior produtor de etanol do mundo com cerca de 60 bilhões de litros contra 40 bilhões do Brasil, sendo destes 10 bilhões de etanol de milho.”, explica Daniel Rosa, diretor-técnico do Abramilho.

O Brasil trabalha com a possibilidade de impor a Lei de Reciprocidade – legislação que prevê a possibilidade do Brasil oferecer o mesmo tratamento dado à ele, seja no âmbito comercial, na concessão de vistos, na área econômica, diplomática ou a qualquer ação estrangeira.

Em contrapartida, os norte-americanos rebatem as tarifas impostas pelo Brasil sobre o produto originado dos EUA. Produtores rurais e usineiro americanos pedem que o país reduza a tarifa de importação, que atualmente esté em 18%.

“Caso o Brasil reduza a tarifa há uma preocupação de uma inundação de etanol americano no Brasil que pode afetar diretamente a rentabilidade das usinas brasileiras e, em consequência, uma redução da demanda por milho para etanol. Isso traria uma queda nos preços pagos aos produtores. No entanto, o Governo Brasileiro já sinalizou que não pretende alterar essa tarifa de 18%. A Abramilho está acompanhando de perto para garantir que esse tema não entre no debate”, explicou Rosa.

Impactos na Bahia

Para a Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), 28% dos produtos exportados pela Bahia aos Estados Unidos podem ser afetados pelo tarifaço, se de fato for aplicado. O impacto terá maior relevância para os seguintes setores:

  • Pneumáticos
  • Químicos
  • Papel
  • Plásticos
  • Calçados
  • Ferroligas
  • Sisal
  • Pescados

De acordo com Arthur Souza Cruz, economista da SEI, apesar de atigir uma parcela significativa da cadeia produtiva da Bahia, os Estados Unidos perdeu muita participação na parceria comercial com o estado nos últimos anos com o estado, que construiu uma pauta mais diversificada com o comércio exterior.

“Para se ter ideia, em 2003, 2003, os Estados Unidos representavam 30,6% das exportações baianas; no ano passado 7,1%; e neste semestre, 6,3%. O país já foi ultrapassado pela China, que é o maior destino da Bahia, atualmente. Mais de ¼ da nossa renda externa vão para China, basicamente de commodities”, explica o especialista.

Fonte: A Tarde

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