Faz dieta e exercício, mas o colesterol continua alto? A resposta pode estar nos genes

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Faz dieta e exercício, mas o colesterol continua alto? A resposta pode estar nos genes Crédito: Imagem: Drazen Zigic | Shutterstock

Alimentação equilibrada, prática regular de atividade física e peso adequado são medidas fundamentais para prevenir doenças cardiovasculares. Ainda assim, algumas pessoas desenvolvem colesterol alto, diabetes ou obesidade mesmo seguindo todas essas recomendações. Segundo especialistas, a explicação pode estar na genética.

A ideia foi reforçada por uma nova diretriz da American Heart Association (AHA) e do American College of Cardiology (ACC), que destaca que doenças cardiovasculares, obesidade, diabetes e alterações renais compartilham mecanismos biológicos e fatores de risco comuns, exigindo uma abordagem mais integrada na prevenção e no tratamento.

“Durante muito tempo, colesterol alto, obesidade e diabetes foram vistos principalmente como consequência dos hábitos de vida. Hoje sabemos que pacientes com o mesmo diagnóstico podem ter causas completamente diferentes para a doença, incluindo fatores genéticos importantes”, afirma o cardiologista Marcelo Bittencourt, da Dasa Genômica.

Quando desconfiar que o problema pode ser hereditário?

Especialistas recomendam atenção principalmente quando há histórico familiar de infarto precoce, colesterol elevado em várias gerações, diabetes diagnosticado ainda na juventude ou obesidade grave desde a infância. Segundo Bittencourt, nesses casos, identificar a origem genética pode beneficiar não apenas o paciente, mas também outros familiares que compartilham o mesmo risco.

Um dos exemplos mais conhecidos é a hipercolesterolemia familiar, doença hereditária que provoca níveis muito elevados de colesterol LDL desde cedo e aumenta significativamente o risco de infarto. Estudo da Mayo Clinic mostra que boa parte das pessoas afetadas ainda não recebe o diagnóstico correto.

O que os testes genéticos conseguem identificar?

Os avanços da medicina de precisão permitiram ampliar a investigação de doenças cardiometabólicas hereditárias. No diabetes, por exemplo, existem formas monogênicas que se parecem com os tipos mais comuns da doença, mas exigem diagnóstico e tratamento diferentes.

Segundo o cardiologista, exames genéticos podem identificar essas alterações e orientar uma conduta mais adequada, além de permitir a avaliação de familiares. A obesidade também pode ter importante influência genética, principalmente quando surge ainda na infância ou apresenta características incomuns.Já existem testes capazes de investigar alterações relacionadas ao controle da fome, da saciedade e do gasto energético, ajudando a esclarecer casos mais complexos. Nas alterações do colesterol, a genética também tem papel importante.

“Nem todo colesterol alto é consequência da alimentação. Existem formas hereditárias em que o organismo apresenta dificuldade para remover o colesterol da circulação. Identificar esses casos ajuda a direcionar melhor o tratamento e investigar familiares expostos ao mesmo risco”, explica.

A investigação genética também pode auxiliar pacientes com doenças hepáticas sem causa aparente, especialmente quando há alterações persistentes do fígado, episódios repetidos de colestase ou histórico familiar.

Genes não são destino

Apesar da influência hereditária, especialistas reforçam que a genética não determina sozinha o desenvolvimento das doenças. Segundo Marcelo Bittencourt, a combinação entre exames laboratoriais, informações clínicas e testes genéticos permite uma avaliação mais completa do risco individual, favorecendo diagnósticos mais precisos e tratamentos personalizados.

“A genética não é uma sentença. Ela funciona como uma ferramenta para identificar riscos e permitir intervenções mais precoces. Quanto mais conhecemos as características biológicas de cada paciente, maiores são as oportunidades de prevenção, diagnóstico precoce e cuidado personalizado”, conclui.

Fonte: Jornal Correio

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