Não pode fazer terapia hormonal na menopausa? Especialistas explicam quais são as alternativas

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Não pode fazer terapia hormonal na menopausa? Especialistas explicam quais são as alternativas  Crédito: (Imagem: fizkes| Shutterstock)

A terapia hormonal costuma ser apontada como o tratamento mais eficaz para aliviar os sintomas da menopausa, mas ela não é indicada para todas as mulheres. Quem tem histórico de câncer de mama hormônio-dependente, alguns tipos de câncer de endométrio, tromboembolismo venoso, doença hepática grave ou outras condições específicas pode não ser candidata ao uso de hormônios. O que pouca gente sabe é que isso não significa conviver, obrigatoriamente, com ondas de calor, insônia, alterações de humor e outros sintomas característicos dessa fase.

Segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), até 2030 mais de 1,2 bilhão de mulheres estarão na pós-menopausa em todo o mundo, com cerca de 47 milhões entrando nessa fase todos os anos. Como elas vivem, em média, mais de um terço da vida após o fim do período reprodutivo, a menopausa passou a ser considerada uma importante questão de saúde pública.

Estima-se que 80% das mulheres apresentem sintomas relacionados à menopausa e que aproximadamente um terço desenvolva manifestações moderadas ou intensas, capazes de afetar o sono, a saúde mental, o desempenho profissional, os relacionamentos e a qualidade de vida. Entre os sintomas mais frequentes estão fogachos, suor noturno, ansiedade, alterações de humor, dores articulares, redução da libido, dificuldades cognitivas e a síndrome geniturinária da menopausa.

Reposição hormonal não é indicada para todas

Embora a terapia hormonal continue sendo considerada o tratamento mais eficaz para os sintomas vasomotores em mulheres elegíveis, sociedades médicas como a North American Menopause Society (NAMS), a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) e a European Menopause and Andropause Society (EMAS) recomendam que sua indicação seja feita de forma individualizada.

Diretora médica da Clínica Elsimar Coutinho, a ginecologista Daniella Campos Oliveira explica que as contraindicações atingem apenas uma parcela das pacientes e que a maioria pode utilizar hormônios com segurança após avaliação médica. “Mas isso não significa que quem possui contraindicação precise conviver com os sintomas. Hoje contamos com alternativas não hormonais eficazes, além de mudanças no estilo de vida e outras estratégias respaldadas por evidências científicas”, afirma.

Novos tratamentos ampliam as opções

Nos últimos anos, os avanços científicos aumentaram as possibilidades de tratamento para mulheres que não podem ou optam por não utilizar hormônios. Um dos principais marcos foi a aprovação, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), do fezolinetanto, primeiro medicamento não hormonal dessa classe autorizado no Brasil para tratar sintomas vasomotores moderados a graves da menopausa. Estudos internacionais publicados na revista científica The Lancet apontaram redução significativa da frequência e da intensidade dos fogachos já nas primeiras semanas de tratamento, mantendo os benefícios ao longo do acompanhamento.

Além desse medicamento, também podem ser indicados, em casos selecionados, antidepressivos em baixas doses, como alguns inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS) e de serotonina-noradrenalina (IRSN), gabapentina, terapia cognitivo-comportamental, programas de atividade física, medidas para melhorar a qualidade do sono e tratamentos específicos para a síndrome geniturinária da menopausa.

Tratamento deve ser individualizado

Segundo a especialista, não existe uma única estratégia capaz de atender todas as mulheres. A escolha do tratamento deve considerar fatores como idade, tempo desde a menopausa, intensidade dos sintomas, histórico familiar, doenças associadas, fatores de risco e as preferências da paciente.

As diretrizes mais recentes da NAMS reforçam que a terapia hormonal continua sendo a opção mais eficaz para mulheres elegíveis, especialmente quando iniciada antes dos 60 anos ou nos dez primeiros anos após a menopausa. Ao mesmo tempo, destacam que quem não pode utilizar hormônios deve receber orientação sobre alternativas terapêuticas baseadas em evidências.

Para a ginecologista, a falta de informação ainda faz com que muitas mulheres acreditem que o sofrimento provocado pela menopausa seja inevitável. “Quando falamos sobre menopausa, não podemos concentrar toda a discussão apenas na terapia hormonal. Cuidar da mulher nessa fase significa oferecer informação de qualidade, avaliar cada caso de forma individualizada e mostrar que existem alternativas seguras e eficazes para aliviar os sintomas. Nenhuma paciente deve se sentir desassistida porque não pode usar hormônios”, conclui.

Fonte: Jornal Correio

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