Transmitida pela picada de carrapatos infectados pela bactéria Rickettsia rickettsii, a febre maculosa pode atingir pessoas de qualquer idade Crédito: Jerry Kirkhart/Wikimedia
A febre maculosa já provocou 18 mortes em São Paulo em 2026, segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde. Até o fim de julho, foram confirmados 19 casos da doença, que é rara, mas pode apresentar uma das mais altas taxas de letalidade entre as infecções transmitidas por animais.
Os óbitos foram registrados principalmente nas regiões de Piracicaba, Americana, Sorocaba, Campinas, São José dos Campos, Santo André e São Bernardo do Campo. Embora o Alto Tietê não tenha registrado casos neste ano, o risco não se restringe às áreas com notificações: pessoas que frequentam sítios, trilhas, regiões de mata e áreas rurais também podem estar expostas.

Ovos de carrapatos por Reprodução web/ ISTOCK
Transmitida pela picada de carrapatos infectados pela bactéria Rickettsia rickettsii, a doença pode atingir pessoas de qualquer idade. O diagnóstico precoce é considerado fundamental para evitar que o quadro evolua para formas graves.O alerta é do infectologista Jean Gorinchteyn, professor da disciplina de Doenças Infecciosas da Faculdade de Medicina da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC), médico do Hospital Israelita Albert Einstein e ex-secretário de Estado da Saúde de São Paulo.
Carrapato pode chegar até dentro de casa
Um dos riscos está nos próprios animais de estimação. Cães que circulam por áreas de mata podem voltar para casa carregando carrapatos presos ao corpo e, dessa forma, levar o vetor para o ambiente doméstico.“O carrapato também pode permanecer em camas e roupas, aumentando o risco de exposição”, explica Gorinchteyn.
Por isso, a atenção não deve ficar restrita ao momento do passeio. Depois de frequentar áreas de vegetação, é importante verificar o corpo, as roupas e os animais.Febre pode parecer dengue ou viroseUm dos principais desafios da febre maculosa é que os primeiros sintomas são pouco específicos e podem ser confundidos com outras doenças.
Nos primeiros dias, o paciente pode apresentar:
- febre alta;
- dor de cabeça;
- dores no corpo;
- mal-estar.
A partir do terceiro dia, podem surgir manchas avermelhadas na pele, que posteriormente podem evoluir para pequenas lesões arroxeadas, principalmente nas mãos e nos pés. O aparecimento dessas manifestações pode indicar que a doença está avançando para uma fase mais grave.“Nesse momento ocorre uma inflamação dos vasos sanguíneos que pode comprometer rins, fígado e cérebro. Quem apresentar febre após visitar áreas de mata deve informar esse histórico ao médico imediatamente”, orienta o infectologista. Segundo Gorinchteyn, a mortalidade pode chegar a 80% quando o tratamento antibiótico não é iniciado rapidamente.
Tratamento não deve esperar o resultado do exame
Outro fator que pode dificultar o atendimento é o tempo necessário para confirmar a infecção por exames laboratoriais. De acordo com o especialista, o resultado pode levar até duas semanas. Por isso, diante da suspeita clínica, o tratamento não deve ser adiado.“ Pensou em febre maculosa, o tratamento deve começar imediatamente. Não se deve esperar o resultado dos exames, porque o atraso pode permitir a progressão para formas graves”, afirma o professor da UMC.
O histórico recente do paciente também é uma informação importante para o médico. Ter frequentado áreas de mata ou rurais e apresentar febre posteriormente deve ser informado durante a consulta.
Como se proteger dos carrapatos
Alguns cuidados reduzem o risco de contato com o carrapato em áreas onde o vetor pode estar presente.
Entre as principais recomendações estão:
- usar calças compridas, botas e roupas claras ao frequentar áreas de mata;
- evitar contato direto com gramados e vegetação alta;
- verificar o corpo e as roupas após passeios em áreas de risco;
- examinar os animais de estimação depois de caminhadas ou visitas a áreas de mata;
- proteger os cães com coleiras e produtos repelentes específicos, conforme orientação adequada.
“A prevenção depende da atenção aos ambientes frequentados e da identificação precoce dos carrapatos”, conclui Jean Gorinchteyn.







