Diagnóstico de tumor no rim não significa retirar o órgão; veja o que mudou no tratamento Crédito: Imagem gerada pela IA
A descoberta de um nódulo no rim costuma provocar uma reação imediata: medo de câncer e, muitas vezes, a ideia de que será necessário retirar todo o órgão. Mas o diagnóstico de uma massa renal não significa automaticamente que o paciente terá de passar por uma cirurgia radical.
Mais da metade dos carcinomas renais é identificada de forma incidental, durante exames realizados por outros motivos, segundo revisão publicada em 2026 no periódico International Urology and Nephrology. O avanço dos exames de imagem também aumentou a identificação de lesões pequenas, muitas vezes antes do aparecimento de sintomas. O que acontece depois do achado depende de uma série de fatores.
O que fazer ao descobrir um nódulo no rim?
O primeiro passo é entender exatamente o que apareceu no exame. O médico pode considerar tamanho, localização e características da lesão, além da função dos rins, idade e condições gerais de saúde do paciente. Em algumas situações, exames de imagem complementares podem ajudar a esclarecer o quadro. A biópsia também pode ser indicada para pacientes selecionados, principalmente quando o resultado tem potencial para mudar a estratégia de tratamento.
“Existe uma diferença importante entre encontrar uma alteração e concluir que ela precisa ser operada imediatamente. Primeiro é preciso entender o risco daquela lesão e qual estratégia oferece o melhor equilíbrio entre tratar a doença e preservar a saúde do paciente”, explica o urologista Ricardo Brandina.
Quando o médico pode apenas acompanhar?
Para algumas pessoas com pequenas massas renais, a vigilância ativa pode ser uma alternativa. Nesse caso, o paciente não fica sem tratamento ou acompanhamento. A lesão passa por avaliações periódicas, geralmente com exames de imagem, para verificar se houve crescimento ou alguma mudança em seu comportamento.
Se forem identificados sinais de progressão, uma intervenção pode ser indicada posteriormente. A estratégia é considerada especialmente em situações nas quais o risco de uma intervenção imediata pode superar seus benefícios, sempre levando em conta as características individuais do paciente.
“O acompanhamento também é uma forma de tratamento quando existe indicação adequada. A ideia é não realizar uma intervenção maior do que o necessário, sem perder o momento certo de agir caso a doença apresente sinais de progressão”, afirma Brandina.
Nem todo tumor exige retirada completa do rim
Quando a cirurgia é necessária, a nefrectomia radical, que remove todo o rim, não é a única possibilidade para muitos tumores localizados. A nefrectomia parcial permite retirar apenas a região comprometida e preservar o restante do órgão, desde que isso seja considerado seguro do ponto de vista oncológico e técnico.
A estratégia é recomendada para tumores classificados como T1 quando tecnicamente possível. A preservação do tecido renal pode ser importante para manter a função dos rins ao longo dos anos, especialmente porque o paciente continuará vivendo após o tratamento. “Tratar o câncer é a prioridade, mas o resultado não deve ser avaliado apenas pela retirada do tumor. Também precisamos pensar em como esse paciente estará depois do tratamento e quais condições podemos preservar para o futuro”, ressalta o especialista.
Onde entra a cirurgia robótica?
A cirurgia robótica pode ser utilizada em casos selecionados de tumores renais. O sistema permite ao cirurgião trabalhar com visão ampliada e instrumentos articulados, recursos que podem ajudar em procedimentos que exigem precisão para retirar a lesão e reconstruir o rim.
Isso não significa, porém, que a cirurgia robótica seja indicada para todos os pacientes. A escolha entre técnicas aberta, laparoscópica ou robótica depende de fatores como tamanho e localização do tumor, anatomia do paciente, condições clínicas e experiência da equipe médica.
“A cirurgia robótica é uma ferramenta que pode ajudar em casos selecionados, mas o objetivo permanece o mesmo: tratar adequadamente a doença, preservar o máximo possível de tecido saudável e buscar uma recuperação que permita ao paciente retomar sua rotina”, explica Brandina.
Diagnóstico não significa necessariamente uma mudança radical na vida
Receber a notícia de que existe uma massa no rim pode fazer o paciente imaginar imediatamente o pior cenário. Mas diagnóstico, prognóstico e tratamento são etapas diferentes. Dependendo das características da lesão e da estratégia escolhida, o paciente pode ser acompanhado sem cirurgia imediata ou passar por uma operação que preserve parte do rim.
Por isso, a decisão precisa considerar não apenas o tumor, mas também a função renal, a saúde geral e a qualidade de vida do paciente. “Nem todo nódulo precisa de cirurgia e nem toda cirurgia exige a retirada completa do rim. Um diagnóstico precisa ser seguido de informação, avaliação correta e acompanhamento. O tratamento não deve olhar apenas para a doença, mas para a vida que continua depois dela”, pondera o urologista.
Fonte: Jornal Correio







