Libido baixa: seis fatores relacionados à alimentação e à saúde que merecem atenção

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[Edicase]A alimentação pode ajudar a aumentar a libido na menopausa (Imagem: PeopleImages.com – Yuri A | Shutterstock) Crédito:

“É a relação”, “é a idade”, “é a cabeça”. Essas são algumas das explicações mais comuns para a diminuição do desejo sexual. Embora fatores emocionais e relacionais tenham influência sobre a libido, outros aspectos também podem estar envolvidos, como qualidade do sono, estresse, alimentação, disponibilidade energética e funcionamento metabólico.

Segundo a nutricionista Alice Paiva, compreender a redução da libido exige uma avaliação que considere o organismo como um todo. A ingestão de nutrientes, a quantidade de energia disponível, o estresse e o equilíbrio metabólico podem contribuir para alterações no desejo sexual. “Antes de aceitar respostas prontas, vale investigar. Libido também é metabolismo”, explica.

A função sexual depende da interação entre diferentes sistemas do corpo. Aspectos hormonais, saúde vascular, estado nutricional, sono e condições emocionais participam desse processo. Por isso, diante de uma redução persistente do desejo sexual, avaliar a saúde nutricional e metabólica pode fazer parte da investigação, sem desconsiderar outras possíveis causas.

Organismo

Um dos aspectos destacados por Alice é a disponibilidade de energia e nutrientes para a manutenção das funções corporais. Quando há restrição alimentar significativa ou déficit energético prolongado, o organismo pode adaptar seu funcionamento, inclusive com alterações nos sistemas hormonais e reprodutivos.

Dietas excessivamente restritivas também merecem atenção. Mais do que priorizar um nutriente específico, é importante garantir uma alimentação equilibrada e uma ingestão energética compatível com as necessidades individuais.

“Quando o corpo recebe pouca energia por muito tempo, ele pode priorizar funções consideradas essenciais à sobrevivência e reduzir outras relacionadas à reprodução e à função sexual. Por isso, investigar a alimentação é importante, principalmente em pessoas que passaram por dietas muito restritivas”, explica Alice.

Seis fatores que podem ser investigados

De acordo com a nutricionista, diferentes aspectos podem ser considerados na avaliação de pessoas que apresentam redução persistente da libido. Entre eles estão a ingestão energética, o estresse, a adequação de micronutrientes e o metabolismo hormonal.

  • Ingestão insuficiente de gordura e energia

Dietas muito restritivas, especialmente quando combinadas com baixa ingestão energética, podem interferir no funcionamento do sistema reprodutivo. O impacto depende de fatores como composição da alimentação, necessidades individuais e quantidade de energia disponível. Por isso, não é possível atribuir alterações na libido apenas ao consumo reduzido de gordura.

  • Déficit calórico prolongado

A perda de peso não provoca necessariamente diminuição do desejo sexual. O risco está associado, entre outros fatores, a déficits energéticos muito intensos ou prolongados, sobretudo quando não há reposição adequada de energia e nutrientes. Em determinadas circunstâncias, essa condição pode afetar a regulação hormonal e reprodutiva.

  • Estresse e cortisol

O estresse crônico também pode influenciar a função sexual. A ativação prolongada dos sistemas responsáveis pela resposta ao estresse pode interferir na regulação do eixo hipotálamo-hipófise-gonadal, envolvido no funcionamento reprodutivo.

Em vez de considerar que existe uma disputa direta entre cortisol e hormônios sexuais, é importante compreender como o estresse persistente pode alterar a comunicação entre esses sistemas e afetar diferentes funções do organismo.

  • Micronutrientes

Zinco, magnésio, vitamina D e vitaminas do complexo B participam de processos metabólicos relacionados à produção de energia e ao funcionamento corporal. Quando há deficiências nutricionais, elas podem contribuir para alterações de saúde que merecem avaliação individualizada.

A suplementação, porém, não deve ser feita indiscriminadamente. A necessidade de reposição depende da avaliação clínica e nutricional, e não há garantia de que o consumo adicional desses nutrientes aumente a libido em pessoas sem deficiência.

  • Metabolismo hormonal

A regulação hormonal envolve a produção, o transporte, a transformação e a eliminação de diferentes substâncias. O fígado participa do metabolismo dos hormônios esteroides, enquanto o intestino também está relacionado à circulação e à eliminação de seus metabólitos.

Por isso, a avaliação deve considerar o funcionamento metabólico de maneira abrangente, sem atribuir possíveis alterações hormonais a uma suposta sobrecarga do fígado.

Saúde intestinal

O intestino também pode fazer parte da investigação. A microbiota intestinal participa de processos relacionados à transformação de compostos envolvidos no metabolismo dos estrogênios, em uma dinâmica que inclui a interação entre intestino, fígado e sistema hormonal.

“Não é sobre fazer detox. É sobre entender a função hepática e intestinal dentro de um organismo que precisa metabolizar e eliminar diferentes substâncias”, explica Alice.

Suplementos

Após a identificação de possíveis inadequações nutricionais ou outros fatores relevantes, determinados suplementos podem ser considerados como parte de uma abordagem individualizada. Alice cita alguns recursos utilizados nesse contexto, mas seus efeitos dependem das condições de cada pessoa e das evidências disponíveis.

Maca peruana: “Não é lenda popular”, afirma a nutricionista. A maca é estudada por seus possíveis efeitos sobre o desejo e a função sexual. No entanto, as evidências ainda são limitadas, e não é possível garantir que o suplemento aumente a libido ou produza os mesmos resultados em todas as pessoas.

“O interesse pela maca está justamente na possibilidade de atuar sobre a função sexual sem necessariamente modificar os níveis hormonais”, explica a nutricionista.

Ashwagandha: A planta é estudada por possíveis efeitos sobre o estresse e a percepção de ansiedade. Como o estresse persistente pode influenciar o bem-estar e a função sexual, esse aspecto desperta interesse. Ainda assim, os resultados variam, e são necessárias mais evidências para estabelecer seus efeitos sobre a libido.

Complexo B: As vitaminas desse grupo participam de diversas reações metabólicas, inclusive das relacionadas à produção de energia. A ingestão adequada é importante para o funcionamento normal do organismo, mas a suplementação não significa, necessariamente, aumento do desejo sexual, especialmente quando não existe deficiência.

Ômega 3: Os ácidos graxos ômega 3 fazem parte de padrões alimentares associados à saúde cardiovascular e metabólica. Como a função sexual também depende de fatores vasculares, esse contexto merece atenção. Entretanto, não há evidências suficientes para tratar o suplemento como um ativador hormonal ou uma solução isolada para a libido baixa.

Alimentação equilibrada como base

Em vez de concentrar a estratégia em um único suplemento, Alice destaca a importância de uma alimentação variada, com energia e nutrientes suficientes para atender às necessidades individuais. Entre os padrões alimentares estudados está o mediterrâneo, caracterizado pelo consumo de vegetais, frutas, legumes, grãos integrais, azeite, oleaginosas e peixes.

Uma revisão publicada em 2026 identificou uma associação entre maior adesão à dieta mediterrânea e melhor função sexual em homens e mulheres. Os autores, entretanto, ressaltaram a heterogeneidade dos estudos e a necessidade de pesquisas maiores para estabelecer uma relação de causa e efeito.

Em mulheres com síndrome metabólica, um estudo clínico também identificou melhora da função sexual após uma intervenção baseada nesse padrão alimentar.

“Não é sobre cortar grupos alimentares. É sobre construir uma alimentação que entregue energia, gordura de boa qualidade, fibras, proteínas, vitaminas, minerais e compostos bioativos de forma consistente”, afirma.

Na prática, a recomendação envolve variar as fontes alimentares, incluindo azeite, oleaginosas e peixes; ovos, carnes, frango, feijão e outras leguminosas; além de frutas, verduras e ervas. A combinação contribui para uma ingestão diversificada de nutrientes, de acordo com as necessidades de cada pessoa.

Investigação individualizada

A redução persistente do desejo sexual pode ter diferentes origens e, por isso, não deve ser atribuída automaticamente à idade, a problemas no relacionamento ou a questões emocionais. Da mesma forma, não é adequado presumir que a causa seja necessariamente metabólica.

Alterações no sono, estresse, uso de medicamentos, mudanças hormonais, condições metabólicas, deficiências nutricionais, saúde mental e fatores relacionais podem ocorrer simultaneamente e influenciar a libido.

“As diferentes causas podem convergir para o mesmo resultado: um organismo que não está funcionando em equilíbrio. Por isso, antes de tentar corrigir apenas o sintoma, vale investigar alimentação, disponibilidade energética, sono, estresse, saúde metabólica e o contexto individual de cada pessoa”, resume Alice.

A avaliação profissional é importante para identificar possíveis causas e definir a abordagem adequada. Quando a redução da libido persiste ou causa desconforto, a investigação pode envolver profissionais de saúde de diferentes áreas, conforme os sinais e as necessidades de cada pessoa.

Fonte: Jornal Correio

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