As hepatites virais geralmente afetam o fígado Crédito: (Imagem: Nadiia Lapshynska | Shutterstock)
As hepatites virais costumam agir em silêncio. Em muitos casos, a infecção permanece por anos sem provocar qualquer sintoma, enquanto o fígado sofre danos progressivos que só serão percebidos quando a doença já estiver em estágio avançado. É justamente esse cenário que a campanha Julho Amarelo busca mudar. A mobilização nacional reforça a importância da prevenção, da vacinação e, principalmente, da realização de exames capazes de identificar precocemente a infecção.
Dados do Ministério da Saúde mostram a dimensão do problema. Entre 2000 e 2024, o Brasil registrou mais de 826 mil casos confirmados de hepatites virais. As hepatites B e C concentram a maior parte das notificações e respondem pela maioria dos casos crônicos, que podem evoluir para cirrose, insuficiência hepática e câncer de fígado.

Segundo o cirurgião do aparelho digestivo e especialista em transplante hepático Lucas Nacif, responsável técnico pelo programa de transplante de fígado da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, a ausência de sintomas ainda é um dos principais obstáculos para o diagnóstico precoce.
“As hepatites virais podem permanecer sem sintomas por muitos anos, o que faz com que muitas pessoas só descubram a infecção quando já existem lesões importantes no fígado”, explica. O especialista destaca que identificar a doença nas fases iniciais aumenta significativamente as chances de controle e tratamento, além de reduzir o risco de complicações graves. Em muitos casos, o diagnóstico precoce pode evitar procedimentos complexos, como cirurgias e até o transplante de fígado.
As hepatites virais são inflamações provocadas pelos vírus A, B, C, D e E. As formas de transmissão variam conforme o tipo da doença e incluem desde o consumo de água e alimentos contaminados até relações sexuais desprotegidas, contato com sangue contaminado e compartilhamento de objetos perfurocortantes.
Por isso, além da vacinação contra as hepatites A e B, médicos recomendam o uso de preservativos, a utilização de materiais esterilizados em procedimentos médicos e estéticos e a realização periódica de testes, principalmente entre pessoas que nunca fizeram o exame ou apresentam fatores de risco.
Para Lucas Nacif, a testagem precisa deixar de ser encarada como uma medida excepcional e passar a fazer parte dos cuidados preventivos com a saúde. “Assim como já incorporamos exames para controle da pressão arterial, diabetes e colesterol, precisamos naturalizar a testagem para as hepatites virais. Identificar a doença precocemente protege o paciente, interrompe a cadeia de transmissão e reduz o impacto dessas infecções na saúde pública”, afirma.
Fonte: Jornal Correio







