Quatro em cada dez brasileiros têm colesterol alto e muitos nem sabem

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Quatro em cada dez brasileiros têm colesterol alto e muitos nem sabem Crédito: Imagem: Halfpoint | Shutterstock

Quatro em cada dez brasileiros convivem com colesterol alto sem saber. Como a alteração costuma evoluir de forma silenciosa, muitas pessoas só descobrem o problema depois de sofrer complicações graves, como infarto ou acidente vascular cerebral (AVC). O alerta ganha ainda mais importância no Dia Nacional de Prevenção e Controle do Colesterol, celebrado em 8 de agosto. Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 40% da população brasileira apresenta níveis elevados de colesterol, um dos principais fatores de risco para as doenças cardiovasculares, responsáveis por aproximadamente 30% das mortes no país, de acordo com a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC).

Apesar da fama de vilão, o colesterol é uma substância essencial para o funcionamento do organismo. O problema surge quando há um desequilíbrio entre suas frações. Enquanto o LDL, conhecido como “colesterol ruim”, favorece o acúmulo de gordura nas artérias, o HDL, chamado de “colesterol bom”, ajuda a remover o excesso da circulação.

“O colesterol alto, na maioria dos casos, é uma condição silenciosa. O excesso circulando no sangue não provoca dor nem desconforto. O risco aparece ao longo do tempo, quando esse colesterol se deposita nas paredes das artérias, formando placas que podem reduzir ou até bloquear o fluxo sanguíneo e desencadear infarto ou AVC”, explica a cardiologista Mayara Gonçalves, do Vera Cruz Hospital, em Campinas.

Exames podem evitar complicações

Justamente por não apresentar sintomas, o colesterol elevado costuma ser identificado em exames de rotina ou somente após uma emergência cardiovascular. Segundo a especialista, adultos saudáveis devem realizar o perfil lipídico entre 35 e 40 anos e, quando os resultados estiverem normais, repetir o exame, em média, a cada quatro anos.

Já pessoas com fatores de risco, como diabetes, hipertensão, obesidade, tabagismo ou histórico familiar de doença cardiovascular precoce, precisam iniciar esse acompanhamento mais cedo e fazer avaliações com maior frequência. Além da alimentação inadequada, fatores como predisposição genética, sedentarismo, excesso de peso, tabagismo, consumo excessivo de bebidas alcoólicas, diabetes, hipotireoidismo e o próprio envelhecimento aumentam as chances de desenvolver colesterol alto. Embora o diagnóstico seja mais comum na vida adulta, a formação das placas de gordura nas artérias pode começar ainda na infância e na adolescência, principalmente em pessoas com histórico familiar.

Mudanças simples fazem diferença

Quando identificado precocemente, o colesterol elevado pode ser controlado com mudanças no estilo de vida, reduzindo significativamente o risco de doenças cardiovasculares. Segundo Mayara Gonçalves, a primeira recomendação costuma ser a adoção de hábitos mais saudáveis. Em muitos casos, alimentação equilibrada e atividade física já são suficientes para normalizar os níveis. Quando necessário, o tratamento pode ser complementado com medicamentos.

Entre as principais orientações estão aumentar o consumo de frutas, verduras, legumes, cereais integrais e leguminosas, reduzir gorduras saturadas, eliminar gorduras trans, priorizar fontes de gordura saudável, como o azeite de oliva, praticar pelo menos 150 minutos de atividade física moderada por semana, abandonar o cigarro, consumir bebidas alcoólicas com moderação e manter o peso adequado.

“O tabagismo reduz o HDL, que é o colesterol bom, enquanto a atividade física ajuda a melhorar esse equilíbrio. Pequenas mudanças de hábito, mantidas ao longo do tempo, fazem grande diferença para a saúde do coração”, afirma a cardiologista.

Fonte: Jornal Correio

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