Marcosiris A. O. Pessoa*
A Inteligência Artificial, combinada com tecnologias como a Internet das Coisas, os Robôs Colaborativos, os Gêmeos Digitais e a Automação Industrial, está transformando rapidamente empresas e indústrias em todo o mundo. Mais do que substituir funções, essas tecnologias estão remodelando profissões, criando oportunidades e redefinindo as competências exigidas pelo mercado de trabalho.
Embora seja comum a percepção de que a IA eliminará empregos em larga escala, a principal mudança ocorrerá no perfil dos profissionais demandados pelas organizações. O profissional do futuro precisará ser versátil e especialista em determinada área. Já aqueles que executam tarefas superficiais e altamente repetitivas estarão mais expostos aos impactos da automação baseada em IA.
O futuro do trabalho, a necessidade de requalificação profissional e os impactos da IA na automação estão entre os principais temas das discussões econômicas e industriais. A quantidade de dados produzidos diariamente cresce exponencialmente, o que amplia a demanda por profissionais capazes de transformar informações em conhecimento para apoiar decisões estratégicas. Isso torna a ciência de dados uma das áreas mais promissoras da próxima década, impulsionada pela crescente digitalização da economia.
Nesse contexto, a IA deixa de ser um diferencial para se tornar uma competência cada vez mais necessária. Profissionais capazes de utilizá-la para ampliar a produtividade, acelerar análises e apoiar a tomada de decisões terão vantagens competitivas significativas nos próximos anos. A meu ver, essa convergência tecnológica impulsiona a procura por perfis híbridos, que integrem tecnologia, estratégia e operação.
Apesar do crescimento das oportunidades, há dificuldade em encontrar profissionais capazes de transformar soluções experimentais de Inteligência Artificial em aplicações reais e escaláveis. Outro desafio é reduzir a distância entre a formação acadêmica tradicional e as demandas atuais do mercado. A universidade continua sendo essencial para fornecer a base técnica, mas a experiência prática, a participação em projetos aplicados e o contato com os desafios reais das organizações tornaram-se diferenciais cada vez mais valorizados.
Para estudantes e jovens profissionais que desejam ingressar nessa área, funções ligadas à análise de dados continuam sendo uma das portas de entrada mais consistentes. Nos primeiros anos de carreira, é nesse tipo de atuação que muitos desenvolvem conhecimento sobre os processos das empresas e aprendem a utilizar ferramentas e metodologias adequadas a diferentes contextos organizacionais.
A IA continuará automatizando tarefas, mas a inovação, o pensamento crítico e as decisões estratégicas continuarão dependendo das pessoas. O diferencial dos profissionais do futuro não será competir com a tecnologia, mas saber utilizá-la para ampliar sua capacidade de criar, decidir e gerar valor. Essa será uma das competências mais importantes do mercado de trabalho nos próximos anos.
*Membro sênior e Impact Creator do Instituto de Engenheiros Elétricos e Eletrônicos (IEEE). Atua no Departamento de Engenharia Mecatrônica e de Sistemas Mecânicos da Escola Politécnica (Poli) da USP
“Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Jornal Hoje em Dia”.
Fonte: Hoje em Dia







