Dor no peito é sempre infarto? Veja como diferenciar os sinais de ansiedade e problemas cardíacos

0
1

Dor no peito é sempre infarto? Veja como diferenciar os sinais de ansiedade e problemas cardíacos Crédito: Freepik

A dor no peito costuma ser associada imediatamente ao infarto, mas o sintoma pode ter diferentes causas. Ansiedade, problemas digestivos e outras condições também podem provocar desconforto na região. O desafio é que alguns sinais se sobrepõem, e tentar identificar sozinho a origem da dor pode atrasar o atendimento de uma emergência.

Segundo o Ministério da Saúde, o infarto agudo do miocárdio é a maior causa de mortes no Brasil. A estimativa é de 300 mil a 400 mil casos por ano, com uma morte a cada cinco a sete episódios. Por isso, diante de uma suspeita, procurar atendimento nos primeiros minutos pode fazer diferença para o prognóstico.

Como é a dor do infarto?

O principal sinal de alerta apontado pelo Ministério da Saúde é a dor ou o desconforto no peito, que pode irradiar para as costas, rosto e braço esquerdo e, mais raramente, para o braço direito. O problema é que a presença de dor torácica, por si só, não confirma que a pessoa esteja tendo um infarto. De acordo com uma diretriz publicada em 2025 pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), entre os pacientes que chegam ao pronto-socorro com dor no peito, cerca de 5% a 20% apresentam síndrome coronariana aguda, grupo que inclui o infarto.

Isso não significa que os demais casos possam ser tratados como situações simples. A ruptura do esôfago e o pneumotórax hipertensivo, por exemplo, estão entre as condições potencialmente fatais que podem causar dor torácica. A avaliação médica é necessária para afastar primeiro os diagnósticos mais graves. Somente depois dessa investigação é que causas de menor risco, como problemas digestivos e ansiedade, podem ser consideradas.

Ansiedade também pode causar dor no peito

Os transtornos de ansiedade afetam cerca de 4,4% da população mundial, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, a prevalência apontada pela entidade chega a 9,3%, a maior entre os países citados pela organização. A ansiedade pode provocar aperto ou desconforto no peito, palpitações, falta de ar e tontura. Como sintomas semelhantes também podem aparecer em alterações cardiovasculares, a diferenciação nem sempre é possível apenas pela descrição do que a pessoa está sentindo.

O cardiologista Roberto Yano explica que algumas características podem ajudar o médico durante a investigação. Segundo ele, a dor associada ao infarto costuma aparecer como aperto ou queimação, pode durar mais de 20 minutos e irradiar para pescoço, queixo, braço ou região do estômago. Náusea, suor frio, falta de ar, palidez e sensação de desmaio também podem acompanhar o quadro.

Nas crises de ansiedade, por outro lado, o desconforto pode ser mais localizado e aparecer como pontadas no centro do peito, sem irradiação. A pessoa também pode apresentar agitação, nervosismo ou sensação de pânico. Essas características, porém, não são regras. Segundo o especialista, a diferenciação precisa ser feita por um médico a partir dos sintomas, histórico do paciente, exame físico e, quando necessário, exames complementares.

Eletrocardiograma deve ser feito rapidamente

Diante de dor torácica ou de outros sinais sugestivos de infarto, o tempo de atendimento é um dos principais fatores de atenção. O Ministério da Saúde orienta que o paciente faça um eletrocardiograma em até dez minutos após o início da triagem. O exame deve ser avaliado imediatamente pelo médico e considerado na classificação de risco. A SBC também destaca que uma avaliação rápida e adequada pode melhorar o prognóstico de pessoas com doenças cardiovasculares.

A sociedade ressalta ainda que a dor torácica está entre os motivos frequentes de atendimento em pronto-socorros, inclusive em unidades e por profissionais que não são especializados em cardiologia. Por isso, a orientação adequada das equipes é considerada fundamental para conduzir esses casos e identificar rapidamente as situações de maior risco.

Ansiedade também pode afetar o coração

A relação entre ansiedade e problemas cardiovasculares vai além da semelhança entre os sintomas. A Sociedade de Cardiologia do Estado do Rio Grande do Sul (Socergs) alerta que a ansiedade pode contribuir para o agravamento e até para o desencadeamento de problemas cardiovasculares, principalmente em pessoas que já apresentam doenças cardíacas. Segundo o vice-presidente da entidade, André Luís Câmara Galvão, a pressão emocional constante pode interferir no funcionamento do coração, favorecer episódios de arritmia e aumentar o risco de complicações.

A Socergs também aponta que o estresse emocional pode provocar respostas fisiológicas, como maior liberação de hormônios, aumento da pressão arterial e aceleração da frequência cardíaca. Por isso, controlar ansiedade e estresse também pode fazer parte dos cuidados preventivos com a saúde cardiovascular.

Quando os dois problemas aparecem juntos, o acompanhamento pode envolver cardiologia, psiquiatria e psicologia. Entre as possibilidades de tratamento estão intervenções psicoterapêuticas, como a terapia cognitivo-comportamental, e medicamentos quando houver indicação profissional.

Fonte: Jornal Correio

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here