Caminhos para uma educação com mais sentido para os jovens

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Oferecer um ensino médio de qualidade, aqui ou em muitos países do mundo, é um grande desafio. Quando a população atendida é de baixa renda, os indicadores são ainda mais cruéis: são poucos os jovens que chegam a essa etapa da educação, menos ainda os que o fazem na idade certa (no Brasil, conclusão com até 19 anos), os que estão lá, muito frequentemente, têm acesso a um ensino de baixa qualidade, as taxas de evasão são altas e o aprendizado adquirido com as aulas normalmente é considerado insuficiente nas avaliações oficiais do governo. O avanço só ocorrerá na velocidade necessária, quando finalmente tivermos uma escola de qualidade: Uma escola capaz de motivar e atrair nossos jovens, com professores bem formados e valorizados, além de um currículo que responda aos desafios impostos pelos novos tempos de mudanças exponenciais do século 21.

O atual inchaço de disciplinas e a falta de professores formados nas áreas que lecionam, contribui ainda mais para o desinteresse dos estudantes, o que se reflete no próprio desempenho deles ao final da etapa: só 27,2% têm o aprendizado adequado em Língua Portuguesa e somente 9,3% em Matemática. O jovem quer uma escola que caiba na vida. O atual modelo de ensino médio pouco tem dialogado com seus anseios. Além disso, sabemos que os novos tempos, de frequentes descontinuidades tecnológicas, exigirão um novo conceito de Educação, que seja capaz de levar os alunos ao limite de suas potencialidades, preparando-os para um mundo cada vez mais globalizado, que os ensine a se adaptar ao novo, a experimentar, a criar e a inovar. São tempos que exigem maior integralidade do ser humano, capaz de alinhar o desenvolvimento cognitivo com o socioemocional. A chamada Educação Integral poderá ser um caminho fundamental para atingirmos esses objetivos. Nesse sentido, já existem algumas iniciativas inovadoras que podem servir de inspiração para a imprescindível mudança dessa etapa.

A BNCC do ensino médio começa a abrir caminhos para uma educação com mais sentido para os jovens, oferecendo escolhas e permitindo que eles assumam o protagonismo de sua própria aprendizagem. O documento organiza as aprendizagens essenciais por áreas de conhecimentos, que são: Linguagens, Matemática, Ciências da Natureza e Ciências Humanas. Essa configuração favorece a interdisciplinaridade, tornando os conhecimentos menos fragmentados, e confere mais autonomia aos estados, que podem fazer diferentes arranjos curriculares. Cada rede poderá se organizar de acordo com as demandas e realidades da juventude local – aspecto este importante para lembrar que a BNCC do ensino médio é o início da construção dessas mudanças e não o seu fim. Vale lembrar que a BNCC diz respeito à parte comum e obrigatória dos futuros currículos; para a outra parte, as escolas oferecerão itinerários formativos, ou seja, os alunos escolherão o que estudar. A proposta tem potencial para contribuir no avanço desta etapa da Educação Básica, tão desafiadora quanto urgente.

O primeiro passo, para avançarmos neste sentido, é contar com diretrizes educacionais claras, guiadas por um planejamento estratégico com metas para curto, médio e longo prazo, além de promover a avaliação periódica de resultados. Paralelamente, é preciso consolidar uma rede de relacionamentos que, por meio da colaboração, descubra novos caminhos para a educação. Isso significa envolver nessa teia todos os stakeholders da educação.

Diego Lima

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