Imagem: Envato
O recente e intenso debate sobre o fim da escala 6×1 não é apenas uma discussão sobre jornada de trabalho, mas sobre eficiência operacional, principalmente se pensarmos no varejista de vizinhança, aquele que muitas vezes abre e fecha a loja, repõe o estoque, ajuda na organização das gôndolas e na limpeza. Manter o varejo eficiente em um mundo em transformação, pautado por novos modelos de negócio e relações trabalhistas, é um desafio constante, e precisa estar no topo das prioridades de cada dono de mercadinho.
A gestão de mão de obra sempre foi um dos pontos mais sensíveis do setor, impactando empresários de todos os portes. De uns tempos para cá, a adoção crescente da tecnologia em estabelecimentos de diversos portes ajudou a otimizar a operação de uma forma geral e a reduzir o impacto de um eventual déficit de colaboradores. Hoje, é possível fazer toda a reposição do estoque, por exemplo, de forma online, com toda a jornada de compra baseada no WhatsApp e com o apoio da Inteligência artificial para obter o mix ideal de produtos. A propósito, dados da Nielsen IQ mostram que, entre 2020 e 2025, o abastecimento online do varejo saltou de 32% para 68%.
Soluções conversacionais, como a realização de pedidos de forma totalmente independente, já são realidade para quase 70% dos mercadinhos, o que fortalece não apenas o varejista, mas todo o ecossistema do varejo de vizinhança, incluindo indústria e distribuidores. Esse novo contexto permite um melhor aproveitamento dos consultores de vendas, que passam a atuar de forma mais estratégica, e não apenas em atividades transacionais. A tecnologia não substitui o vendedor, mas o torna mais produtivo.
Apesar da aceleração da adoção da tecnologia no dia a dia dos negócios, a expansão da força de trabalho continua na ordem do dia do varejo de vizinhança. Um levantamento recente mostra que 51% dos empresários planejam aumentar a equipe neste ano. É prematuro apontar os impactos (positivos ou negativos) de uma eventual alteração na legislação trabalhista, mas a otimização do gerenciamento de equipes já é realidade, em meio a um cenário de pressão crescente provocada por transformações demográficas, mudanças nas expectativas profissionais e busca crescente por flexibilidade.
A digitalização também é uma aliada no fortalecimento da proximidade com o cliente, um dos grandes diferenciais do varejo de vizinhança. O bom atendimento não passa mais apenas pela boa conversa, por querer saber como está o trabalho ou a família do consumidor, mas também por oferecer, da maneira mais assertiva possível, todos os produtos de que ele necessita naquela compra. Aí entra a inteligência de dados, que leva em conta fatores como perfil de consumo de cada região, sazonalidade e eventos regionais, como a festa de São João, por exemplo.
Olhando para o futuro, a sustentabilidade do ecossistema do varejo de vizinhança depende da nossa capacidade de transformar estratégias em decisões diárias. Não se trata apenas de reagir a mudanças nos âmbitos econômico e trabalhista, mas de liderar com propósitos e objetivos claros, utilizando a inovação para facilitar o atendimento em todos os pontos de contato da cadeia de abastecimento e otimizar a operação.
A digitalização estrutural é o caminho inevitável para que o varejo de vizinhança continue sendo o coração pulsante dos bairros, unindo a agilidade da tecnologia com a confiança do aperto de mão. Afinal, em um mercado em constante mutação, ganha quem lê melhor as necessidades do consumidor e usa as soluções inovadoras como ferramenta para vender mais e melhor.
Julio Campos é CEO do Compra Agora.
*Este texto reproduz a opinião do autor e não reflete necessariamente o posicionamento da Mercado&Consumo.
Fonte: Mercado&Consumo







